segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Como o uso de antibióticos na criação de aves está contaminando o homem

A suspeita remonta aos anos 1970, mas apenas agora um estudo comprovou que o uso de antibióticos na criação de aves culminou no aparecimento de superbactérias. Resistentes ao medicamento, esses microrganismos acabam transmitidos aos seres humanos por meio do consumo da carne desses animais, como o frango.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores do Centro de Ação contra a Resistência aos Antibióticos, da Universidade George Washington, nos EUA, decifraram o genoma de algumas bactérias que se adaptaram ao organismo de animais e seres humanos.

A escolha do local de pesquisa não foi ao acaso. A cidade de Flagstaff, no estado do Arizona, é pequena, com migração quase inexistente, o que a torna um laboratório genético para o estudo.

Durante um ano, os pesquisadores compraram a carne vendida nos supermercados da cidade e coletaram as bactérias contidas no sangue e urina de pacientes em hospitais da região. Eles, então, analisaram as amostras para identificar bactérias resistentes.

A equipe encontrou o Escherichia Coli (E. Coli), um grupo de bactérias que normalmente habita tanto o intestino humano quando o de alguns animais. Alguns tipos são tão nocivos que causam gastroenterite, caracterizado pela infecção urinária e intensa diarreia com catarro e sangue.

O E. coli foi encontrado em quase 82% das amostras de carne e em 72% de pacientes. Mas dentre os muitos exemplares dessa bactéria, um deles, conhecido como ST131-H22, chamou a atenção. Suas características genéticas indicam que ele ocupou primeiro as vísceras das aves para depois se adaptar aos humanos.

Coincidentemente, esses exemplares são a versão de E. coli mais resistentes aos antibióticos tetraciclina e gentamicina, usados na produção avícola.

A descoberta confirma a suspeita de que o uso de antibióticos nas fazendas crie bactérias resistentes que acabam chegando aos humanos.

"Em resumo, nossos achados demonstram o potencial da E. coli ST131-H22 em servir como um uropatógeno (um tipo de bactéria) de origem alimentar. Ele é apenas uma das muitas bactérias potencialmente transmitidas de animais para humanos", diz o estudo.

Fonte: UOL

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Jejum intermitente pode reverter diabetes tipo 2 de acordo com novo estudo

IMPORTANTE!
Este blog não fornece conselhos médicos ou tratamentos de qualquer natureza. Apenas noticiamos descobertas científicas relacionadas à saúde, cujos resultados são descritos em detalhes nas fontes originais citadas. Qualquer mudança como forma de tratamento, tal como descrita a seguir, deve ser discutida com um médico especializado. Dito isto, vamos aos resultados.


Sob supervisão médica (confira o artigo original), três homens, com idades entre 40 e 67 anos, experimentaram o jejum intermitente planejado como forma de diminuir seus sintomas de diabetes tipo 2. Cada um desses homens precisava usar uma série de medicamentos para controlar suas doenças, bem como doses diárias de insulina. Além de diabetes tipo 2, eles sofriam de pressão e colesterol altos.

Dois dos homens jejuaram por 24 horas em dias alternados, enquanto o terceiro jejuou três vezes por semana. Nos dias de jejum, eles não ficavam completamente sem alimento. Podiam usar bebidas de baixa caloria, como chá/café, água ou caldos, além de uma refeição de baixíssima caloria no fim da tarde.

Eles permaneceram seguindo esse padrão por cerca de 10 meses. Após isso, foram feitas novas medidas para a glicose no sangue, peso e circunferência da cintura.

Todos os três homens puderam parar de usar insulina em menos de um mês após o início do programa. Para um deles, isso ocorreu em apenas cinco dias. Dois dos homens foram capazes de parar com todas as suas medicações relacionadas à diabetes, enquanto o terceiro deixou de usar três dos quatro medicamentos de que precisava. Todos perderam peso (10-18%) e conseguiram reduzir sua glicose no sangue, tanto em jejum quanto na média do dia a dia, o que pode ajudar a diminuir riscos de complicações futuras.

É importante que se diga que esse é um estudo observacional com apenas três indivíduos. Assim, não é possível afirmar se esse protocolo de tratamento terá efeito de forma geral. Mas são resultados promissores que se somam a outros indicativos nessa direção (confira aqui).

Me chama atenção o fato de os efeitos benéficos do jejum já terem sido apontados há mais de um século, em 1905, pela escritora cristã Ellen White, que, como creem os Adventistas do Sétimo Dia, tinha uma ligação muito especial com Deus. Confira:

"A intemperança no comer é muitas vezes a causa da doença, e o que a natureza precisa mais é ser aliviada da indevida carga que lhe foi imposta. Em muitos casos de moléstia, o melhor remédio é o paciente jejuar por uma ou duas refeições, a fim de que os sobrecarregados órgãos digestivos tenham ensejo de descansar. Um regime de frutas por alguns dias tem muitas vezes produzido grande benefício aos que trabalham com o cérebro. Muitas vezes um breve período de inteira abstinência de comida, seguido de alimento simples e moderadamente tomado, tem levado à cura por meio dos próprios esforços recuperadores da natureza. Um regime de abstinência por um ou dois meses, havia de convencer a muitos sofredores que a vereda da abnegação é o caminho para a saúde." (E. G. White Conselhos sobre o regime alimentar, Cap. 10).


Referências:


1. Suleiman Furmli, Rami Elmasry, Megan Ramos, Jason Fung. Therapeutic use of intermittent fasting for people with type 2 diabetes as an alternative to insulin. BMJ Case Reports, 2018; bcr-2017-221854 DOI:10.1136/bcr-2017-221854

2. BMJ. "Planned intermittent fasting may help reverse type 2 diabetes, suggest doctors: And cut out need for insulin while controlling blood glucose." ScienceDaily. ScienceDaily, 9 October 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/10/181009210738.htm>.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Lagartos que mudam de cor em poucos dias. Evolução?

Crédito da imagem: Corl et al., Current Biology, 2018)
Você já ouviu falar no "efeito Baldwin"? Trata-se de uma proposta do psicólogo (isso mesmo, psicólogo) James Mark Baldwin publicada em 1896. Imagine que uma população de animais precise invadir um novo ambiente diferente daquele para o qual estão bem adaptados. Como esses animais poderiam sobreviver tempo o suficiente nesse novo ambiente para que a seleção natural pudesse favorecê-los? Por exemplo, suponha que um grupo de lagartos de coloração clara invadam uma região de solo escuro (como num fluxo de lava). Neste caso, os lagartos seriam facilmente reconhecidos pelos predadores e poderiam ser dizimados bem antes de haver tempo para que mudanças genéticas ao longo de gerações acabassem adaptando sua coloração àquela região.

O que Baldwin propôs é que algumas características dos animais não são fixas, podendo mudar ao longo de seu tempo de vida. Essa "plasticidade do fenótipo" permite que indivíduos alterem o bastante sua aparência ou comportamento para poderem sobreviver em um novo ambiente. Eventualmente, novas adaptações surgiriam através de seleção natural sobre mudanças genéticas através de gerações. Esse é o efeito Baldwin.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia - Santa Cruz apresentaram um relato impressionante a respeito de um caso que ilustra bem esse efeito. Eles estudaram a mudança de cor em lagardos-de-mancha-lateral (da espécie Uta stansburiana) em função de seu ambiente. Quando esses lagartos eram movidos de uma região de solo claro (como areia) para uma região escura (como em um derramamento de lava), as mudanças na coloração começavam a aparecer em apenas uma semana e prosseguiam gradualmente pelos meses seguintes. Análises genéticas apontaram para variações em dois genes envolvidos na regulação da melanina (já falamos disso aqui).

Os descendentes desses animais herdam a coloração que seus pais adquiriam em tão pouco tempo. O que é mais incrível é que, se os lagartos forem levados de volta para a areia, eles podem ajustar sua cor novamente. A faixa de cores possíveis para um indivíduo desses lagartos é realmente impressionante. Na figura acima você pode ver um lagarto macho retirado de um derramamento de lava (esquerda) e o mesmo lagarto (direita) após ser mantido em laboratório sobre areia clara por quatro meses.

Esse tipo de plasticidade revela um complexo mecanismo que permite adaptações muito rápidas quando elas são necessárias. É uma espécie de providência por antecipação embutida no projeto dos lagartos para quando eles precisassem mudar de ambiente. Lembra muito mais o trabalho de um projetista extremante inteligente do que o de um processo de seleção natural sobre variações aleatórias.

Referências:

1. Ammon Corl, Ke Bi, Claudia Luke, Akshara Sree Challa, Aaron James Stern, Barry Sinervo, Rasmus Nielsen. The Genetic Basis of Adaptation following Plastic Changes in Coloration in a Novel Environment. Current Biology, 2018; DOI: 10.1016/j.cub.2018.06.075

2. "Adaptable lizards illustrate key evolutionary process proposed a century ago", https://news.ucsc.edu/2018/09/adaptable-lizards.html

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Formações ferríferas bandadas e a explosão do Cambriano


As formações ferríferas bandadas (também conhecidas pelo inglês banded iron formations) são “rochas sedimentares químicas de idade pré-cambriana compostas por bandas alternadas de óxido de ferro (hematita, Fe2O3, ou magnetita, Fe3O4) e bandas de chert e/ou jasper” (Wikipedia). Imagina-se, tradicionalmente, que essas estruturas foram formadas por precipitação a partir da água do mar causada pela liberação de oxigênio produzido por cianobactérias. O oxigênio teria se combinado com o ferro dissolvido nos oceanos para formar óxidos de ferro insolúveis, que precipitariam para o fundo do oceano.

As formações ferríferas bandadas são geralmente encontradas antes do período Cambriano. A presença de todo esse ferro no oceano primitivo teria impedido o aumento do nível de oxigênio na atmosfera, uma vez que o oxigênio produzido pelas cianobactérias reagiria logo em seguida com o ferro oceânico formando compostos insolúveis que precipitariam. O fim desse estoque de ferro teria possibilitado o aumento do nível de oxigênio na atmosfera. A ideia de que essa elevação no nível de oxigênio tenha possibilitado a explosão cambriana vem ganhando cada vez mais destaque. [1]

É nesse contexto que precisamos analisar a recente descoberta de novas formações ferríferas bandadas com idades surpreendentemente menores do que as já conhecidas.[2] De acordo com a Universidade de Alberta (instituição à qual pertence o grupo que liderou a pesquisa):

“A formação ferrífera, localizada no oeste da China, foi conclusivamente datada como sendo de idade cambriana. Com aproximadamente 527 milhões de anos, essa formação é jovem em comparação com a maioria das descobertas até agora. Imagina-se há muito tempo que a deposição de formações ferríferas bandadas, que se iniciou há aproximadamente 3,8 bilhões de anos atrás, terminou antes do Período Cambriano, 540 milhões de anos atrás.”[3]

“Isso é crítico, uma vez que é a primeira observação de uma formação ferrífera bandada similar às do Pré-Cambriano que é mais recente do que o início do Cambriano. Isso oferece a mais conclusiva evidência para a presença de condições ricas em ferro por toda a parte naquele tempo, confirmando o que tem sido recentemente sugerido a partir de proxies geoquímicos”, disse Kurt Konhauser, co-author do trabalho.[3]

O achado cria um dilema. Se as formações ferríferas bandadas podem ser tomadas como indício de atmosfera pobre em oxigênio, então, até por volta de 527 milhões de anos atrás (na cronologia evolucionista) não teríamos uma atmosfera com concentrações apreciáveis de oxigênio, o que minaria uma das propostas para a razão da explosão do Cambriano. Se, por outro lado, insiste-se em que o início do Cambriano foi um período de atmosfera rica em oxigênio, à despeito das formações ferríferas bandadas posteriores, então a presença dessas formações no período Pré-Cambriano não pode, de forma similar, ser tomada como evidência de baixos níveis de oxigênio. Isso compromete uma importante evidência usada pelos defensores da abiogênese a favor de uma atmosfera redutora sob a qual teriam sido formados os compostos químicos que dariam origem às primeiras células (diga-se de passagem, um salto gigantesco: compostos químicos a células).

Um artigo recente da Nature menciona evidências geológicas a favor de uma atmosfera com concentrações de oxigênio relativamente altas no início do Cambriano. [1] Será que as formações ferríferas bandadas realmente significam o que dizem que elas significam, que existiu uma atmosfera redutora nos primórdios de nosso planeta?

Vamos esperar os desdobramentos, mas ao que tudo indica, os defensores da abiogênese precisarão rever suas posições a respeito do “fato da evolução química. É uma pena que, nesse campo, a única pergunta que se faça seja “como a vida se originou espontaneamente?” e não “como a vida se originou?”.

[1] Douglas Fox, “What sparkedthe Cambrian explosion”, Nature 530 (2016) 268.

[2] Zhi-Quan Li, Lian-Chang Zhang, Chun-Ji Xue, Meng-Tian Zheng, Ming-Tian Zhu, Leslie J. Robbins, John F. Slack, Noah J. Planavsky & Kurt O. Konhauser, “Earth’s youngest banded iron formation implies ferruginous conditions in the Early Cambrian ocean”, Scientific Reports 8 (2018) 9970.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Mais informação encontrada no DNA

No link abaixo você encontra o artigo do site Evolution News a respeito da descoberta de um possível novo nível de informação no DNA:

More Information Found in DNA: The Shape Code

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Estamos sozinhos no Universo? Três acadêmicos de Oxford concluem que provavelmente sim

"Onde estão?"
Foi a pergunta que o famoso físico italiano Enrico Fermi fez a seus colegas quando trabalhava no Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, em 1950.

Fermi discutia a existência de outras civilizações inteligentes e a aparente contradição entre as estimativas que afirmam haver uma alta probabilidade de essas civilizações existirem no universo observável - e a falta de evidências delas.

Somente na Via Láctea, a estimativa mais conservadora indica a existência de cerca de 100 bilhões de estrelas, muitas rodeadas por planetas. Por que, então, ainda não temos a comprovação de vida inteligente além do nosso planeta?

Se existem bilhões de possibilidades de que haja civilizações inteligentes, por que ninguém procurou entrar em contato?

Essa disparidade, que é conhecida como o paradoxo de Fermi, foi agora reavaliada por três acadêmicos da Universidade de Oxford.

E em seu estudo, intitulado Dissipar o Paradoxo de Fermi, eles dizem que é mais provável que a humanidade "esteja sozinha no Universo".


Equação

 

Os três autores do estudo são Anders Sandberg, pesquisador do Instituto Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford, o engenheiro Eric Drexler, que popularizou o conceito de nanotecnologia, e Tod Ord, professor de Filosofia no mesmo centro acadêmico.

O novo trabalho deles analisa uma das bases matemáticas do paradoxo de Fermi, a chamada equação de Drake, proposta pelo astrônomo Frank Drake na década de 1960.

A equação foi concebida para estimar o número de civilizações detectáveis na Via Láctea e multiplica sete variáveis.

Duas delas, por exemplo, são N, o número de civilizações na Via Láctea cujas emissões eletromagnéticas são possíveis de detectar, e fp, a fração de estrelas com sistemas planetários.

Os três estudiosos de Oxford apresentaram uma versão atualizada da equação de Drake que incorpora "uma distribuição mais realista da incerteza".


"Sozinhos"

 

A equação de Drake foi usada no passado para mostrar que a quantidade de possíveis lugares onde poderia haver vida deveria produzir um grande número de civilizações.

Mas essas aplicações assumem "certeza em relação a parâmetros altamente incertos", apontam os autores do estudo.

"Nós examinamos esses parâmetros, incorporando modelos de transições química e genéticas nos caminhos em direção à origem da vida, e mostramos que o conhecimento científico existente corresponde a incertezas que abrangem várias ordens de magnitude. Isso faz uma grande diferença", acrescentaram Sandberg e seus colegas.

A revisão da equação com distribuições mais realistas de incerteza levou os autores a concluírem que "há uma probabilidade de 39% a 85% de que os seres humanos estejam sozinhos no Universo".

"Encontramos uma probabilidade substancial de que não haja outra vida inteligente em nosso universo observável e, portanto, não deveria haver surpresa quando não detectamos quaisquer sinais disso," afirmam os autores.

A maior incerteza "nos leva a concluir que existe uma probabilidade razoavelmente alta de estarmos sozinhos", reforçam eles.


Inteligência extraterrestre

 

Os autores do estudo não acreditam, no entanto, que os cientistas deveriam desistir de buscar inteligência extraterretre ou SETI, da sigla em Inglês.

Recentemente, por exemplo, cientistas descobriram a existência de complexas moléculas baseadas em carbono nas águas de Enceladus, uma lua de Saturno, que podem indicar que o local é capaz de abrigar vida - algo que só será comprado após muitos anos mais de pesquisas.

"Não estamos mostrando que essa busca (por vida extraterrestre) é inútil, pelo contrário", declarou Sandberg. "O nível de incerteza que temos de reduzir é enorme e a astrobiologia e a SETI podem desempenhar um papel importante na redução dessa incerteza de alguns parâmetros."

Não há respostas simples para o paradoxo de Fermi.

Se apesar da baixa probabilidade, for detectada vida extraterrestre inteligente no futuro, Sandberg diz que "não devemos nos surpreender muito".


Fonte: BBC News