domingo, 29 de janeiro de 2017

O Prêmio Nobel de Química e a evidência de um Designer

O Prêmio Nobel de Química de 2016 foi concedido a Jean-Pierre Sauvage, Sir J. Fraser Stoddart e Bernard L. Feringa “pelo design e síntese de máquinas moleculares”.[1] O trabalho desses pesquisadores é realmente muito interessante. Você já parou para se perguntar o quão pequena pode ser uma máquina? Imagine um computador de apenas 2 mm! Pois bem, isso já existe. Trata-se do Michigan Micro Mote (M3), desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Michigan. [2] O M3 é um sistema de computação completo, sendo capaz de receber dados, processar esses dados, tomar decisões e produzir dados de saída. Parece realmente incrível, mas o que os ganhadores do Nobel de Química de 2016 fizeram vai muito além. Por exemplo, Stoddart e sua equipe, em 1991, desenvolveram um rotaxano. [3] Para isso, Stoddart coordenou a criação de uma molécula longa, na forma de um eixo, e a inseriu em uma outra molécula em forma de anel. Mudando o ambiente químico, os pesquisadores podiam fazer o anel se mover ao longo do eixo, da mesma forma como um trem se move sobre seus trilhos. Mas o movimento era de certa forma bem restrito, como se o trem pudesse ir e voltar apenas entre duas estações.

Em 1999, Feringa e seu grupo publicaram um trabalho no qual descrevem a rotação controlada de uma molécula. [4] O movimento molecular é, por natureza, caótico. As moléculas transladam e realizam rotações em direções aleatórias. Feringa, no entanto, utilizou-se de técnicas bastante sofisticadas para fazer com que uma parte da uma molécula girasse em relação à outra parte em uma direção definida e de forma controlada. Para isso, foi necessário realizar um procedimento que envolvia resfriamento a -55 oC, seguido de irradiação com luz de comprimentos de onda bem específicos e aquecimentos em etapas controladas. Embora os pesquisadores tenham mostrado que esse tipo de movimento é possível, a forma como isso foi alcançado não é nada prática.

Um outro tipo de máquina molecular descoberta há alguns anos realiza tarefas fantásticas. Essa máquina possui um compartimento capaz de armazenar algum tipo de material para transporte e um sistema de tração que a faz se movimentar em uma direção definida. Essa maquina trabalha de forma integrada com outras e é capaz de receber sua carga, caminhar sobre um filamento e entregar a carga em seu destino. O mais impressionante é que ela faz tudo isso sem intervenção externa, ao contrário das máquinas de Sauvage, Stoddart e Feringa. Mas se não bastasse isso, existe também uma linha de montagem para essa maquina, com um rigoroso controle de qualidade. Cada parte dessa linha de montagem é composta por outras máquinas moleculares bastante complexas. Essas máquinas são capazes de acessar o banco de dados com o projeto para a construção, selecionar os materiais certos, executar a montagem em uma sequência coerente e realizar um controle de qualidade em cada etapa. A própria linha de montagem está sujeita a um protocolo de controle que determina quando uma máquina molecular deve ser produzida, ou seja, a produção se dá de acordo com a demanda. Comparar essa máquina de transporte e o seu sistema de montagem com as máquinas de Sauvage, Stoddart e Feringa é como comparar um chocalho de criança às últimas gerações de smatphones. Mas então por que o Prêmio Nobel de Química foi outorgado a esses pesquisadores e não ao inventor dessa máquina de transporte?

Essa máquina de transporte é chamada de cinesina, é encontrada no interior das células e têm a função de transportar as proteínas recém preparadas até o local onde elas são necessárias. A linha de montagem é todo o aparato celular para a síntese de proteínas. Tudo funciona como numa fábrica com tecnologia sofisticadíssima, com procedimentos automatizados, mini robôs programados para executar funções bastante especializadas e softwares extremamente eficientes. Mas pasmem! Enquanto a Academia de Ciências concede um Prêmio Nobel aos brinquedos de Sauvage, Stoddart e Feringa, em reconhecimento ao seu árduo trabalho de planejamento e síntese, um grupo de pretensos cientistas alega que toda a maquinaria celular surgiu completamente ao acaso!
Os ganhadores do Prêmio Nobel de Química de 2016 não foram, nem de longe, os inventores dos motores moleculares. São imitadores de algo que já está aí desde o princípio. Se algo tão simples como uma molécula que pode se mover em uma direção merece um Prêmio Nobel, que tipo de reconhecimento daríamos ao Projetista das cinesinas e do flagelo bacteriano, obras primas químicas inigualáveis? Um interruptor ou um rotor (tal como os de Sauvage, Stoddart e Feringa) precisa de um projetista e de uma hábil equipe para sua construção, que tenha à sua disposição compostos químicos muito específicos e caros e equipamentos bastante sofisticados. Mas quando nos deparamos com a cinesina, aí tudo muda. Ela simplesmente surgiu de processos aleatórios, não teve um Projetista e nem um Criador. Isso porque já estamos nos referindo ao produto final, sem sequer levar em consideração que as máquinas biológicas se montam sozinhas. Não precisam de nossa interferência.

Quando Paley apresentou seu argumento em meados do século XIX, os críticos do planejamento o acusaram de tecer uma analogia entre coisas muito diferentes. Não se poderia comparar o corpo humano com as máquinas construídas pelo homem, diziam eles. Numa época em que quase nada se sabia sobre a vida no nível subcelular, essa objeção poderia até ser razoável. Todavia, os avanços recentes da bioquímica e da química têm mostrado que a correspondência entre as máquinas produzidas pelo homem e os sistemas encontrados no interior das células é muito mais forte do que se imaginava a princípio. E mais do que isso, que a tecnologia molecular do interior das células deixa nossos melhores esforços no chinelo. Até quando vamos continuar fechando os olhos para o fato óbvio de que há uma Mente Inteligente por trás de tudo isso? Só não conseguem aceitar isso aqueles que fizeram um pacto não científico com a filosofia materialista. Como diz um ditado popular, o pior tipo de cego é aquele que não quer ver.

Referências:
[1] Press Release: The Nobel Prize in Chemistry 2016, https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2016/press.html.
[2] Michigan Micro Mote (M3) Makes History, http://www.eecs.umich.edu/eecs/about/articles/2015/Worlds-Smallest-Computer-Michigan-Micro-Mote.html.
[3] P.L.Anelli,N.Spencer,J.F.Stoddart,J.Am.Chem.Soc.1991, 113,5131–5133.
[4] N. Koumura, R. W. J. Zijlstra, R. A. van Delden, N. Harada, B. L. Feringa, Nature, 401, 152-155.

Novos estudos reforçam a tese criacionista sobre a variabilidade dos seres vivos

Matthew Ravosa, da Universidade de Notre Dame, liderou uma equipe que publicou recentemente um artigo na Biological Reviews [1, 2] a respeito da plasticidade dos aspectos físicos de uma dada espécie. Animais submetidos a dietas diferentes possuem desenvolvimento diferentes nos mais diversos níveis, como afirma o professor Ravosa: “Durante o crescimento pós-natal, mostramos que essas variações no estresse de mastigação relacionadas à dieta induzem uma cascata de mudanças nos níveis celular, de tecidos, protéicos e genéticos, de forma a manter a integridade das estruturas craniomandibulares envolvidas no processamento de alimento.” [1]

As variações induzidas nesses experimentos chegam mesmo a ser comparadas a diferenças observadas entre espécies distintas: “Em terceiro lugar, dada a longa duração dos experimentos, somos capazes de demonstrar que um padrão dietético iniciado ainda no período pós-natal e de duração prolongada pode resultar em níveis de variações das mandíbulas de uma única espécie em par com aquelas observadas entre espécies.” [1]

O professor Ravosa também chama a atenção para o tipo de dificuldade que isso traz para a interpretação dos fragmentos de ossos encontrados no registro fóssil: “Essas análises longitudinais mostram que os efeitos morfológicos da ‘sazonalidade’ dietética são detectados apenas em algumas regiões do crânio, o que atrapalha ainda mais nossa habilidade de reconstruir acuradamente a biologia de organismos fósseis representados por espécimes singulares e fragmentados.” [1] Em outras palavras, um pesquisador corre o risco de anunciar a descoberta de uma nova espécie com base em uns poucos fragmentos de ossos, quando na verdade o que tem em mãos pode ser apenas uma variação de uma espécie já conhecida induzida pela própria alimentação. Ressalte-se que a definição de espécies é, há muito tempo, um tema controverso.

Os criacionistas, ao contrário do que afirmam determinados livros-texto universitários, [3] não são fixistas, isto é, não defendem que as espécies que existem hoje foram criadas da forma como as conhecemos desde o início. A própria tese criacionista para o repovoamento do mundo animal após o dilúvio depende da existência de variabilidade. Alguns chamam isso de microevolução, embora existam boas razões para utilizarmos termos como diversificação de baixo nível.

O tipo de variabilidade que normalmente é encontrado no registro fóssil, e que é invocado exaustivamente como evidencia a favor da evolução, ajusta-se melhor à ideia criacionista de variações limitadas. É comum, quando se pesquisa o argumento em fonte evolucionista, encontrarmos um cenário que coloca de um lado a proposta evolucionista, que prevê variações, e do outro uma distorcida proposta criacionista, que não prevê variações. Diante das variações observadas em experimentos e no registro fóssil, argumenta-se então que a evidência é favorável à evolução. Nada mais enganoso.

Quando se entende que ambas as proposta preveem variações, recai sobre os evolucionistas o ônus de demonstrar as transformações que excedem essas mudanças em pequena escala, ou o que muitos chamariam de macroevolução. Nas palavras de um evolucionista sincero neste ponto, “é possível imaginar, por extrapolação, que, se os processos em pequena escala que vimos continuassem por um período de tempo suficientemente longo, eles poderiam produzir a variedade moderna da vida”.[3]  E é esse o ponto que realmente deveria figurar no centro do debate: essa extrapolação é válida? Não seriam o grande número de fraudes e interpretações equivocadas sintomas de que a extrapolação evolucionista se sustenta forçosamente, mais apoiada em uma visão de mundo do que em evidência paupável?

[1] University of Notre Dame. "Reinterpreting the fossil record on jaws." ScienceDaily. ScienceDaily, 17 August 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/08/160817133139.htm>

[2] Matthew J. Ravosa, Rachel A. Menegaz, Jeremiah E. Scott, David J. Daegling, Kevin R. McAbee. Limitations of a morphological criterion of adaptive inference in the fossil record. Biological Reviews, 2015; DOI: 10.1111/brv.12199

[3] Mark Ridley, Evolução, 3a. Ed., Artmed, 2006,  p.67, 77.

Resíduos de Proteínas Encontrados em Ferramentas de Pedra de Hominídeos

Os humanos modernos são datados tipicamente em 200.000 anos, de acordo com a linha do tempo evolucionista. Ferramentas de pedra encontradas na Jordânia de “espécies humanóides” mais antigas do que os humanos modernos ainda possuem restos de proteínas identificáveis de animais que os caçadores mataram, de acordo com um comunidado à imprensa da University of Victoria:

O quão inteligentes eram as espécies humanóides da Idade da Pedra? Uma nova pesquisa publicada no Journal of Archaeological Science por uma equipe liderada pelo paleontologista April Nowell da University of Victoria revela adaptações surpreendentemente sofisticadas pelos humanos antigos vivendo 250.000 anos atrás em um antigo oásis próximo a Azraq, Jordânia.”

“A equipe de pesquisadores da UVic e universidades parceiras nos EUA e na Jordânia (…) encontrou a evidência mais antiga de resíduo de proteína - os resíduos de proteínas de animais assassinados incluindo cavalos, rinocerontes, gado selvagem e patos - em ferramentas de pedra. A descoberta implica em conclusões surpreendentes acerca de como esses antigos humanos subsistiram em um habitat tão exigente, milhares de anos antes do Homo sapiens evoluir na África.”

Esse anúncio faz “surpreendentes” afirmações que deveriam questionar a validade das datas. O que estavam esses “surpreendentemente sofisticados” humanos antigos fazendo na Jordânia se os ancestrais dos humanos modernos estavam esperando para evoluir na África? Mais importante, como poderiam resíduos de proteínas permanecer em um “habitat exigente” por 250.000 anos? Não deveriam todos os traços de carne ter sido completamente eliminados por bactérias e pelo decaimento natural? As fotos do comunicado à imprensa mostram os trabalhadores escavando próximo à superfície.

O sumário do artigo no Journal of Archaeological Science diz que o achado “Expande o crescente corpo de dados sobre a capacidade de sobrevivência a longo termo de materiais biológicos.” O comunicado à imprensa indica quantas ferramentas foram testadas:

“A equipe escavou 10.000 ferramentas de pedra ao longo de anos no que hoje é um deserto no noroeste da Jordânia, mas que um dia foi um pantanal que se tornou um habitat progressivamente árido 250.000 anos atrás. A equipe examinou cuidadosamente 7.000 dessas ferramentas, incluindo raspadores, lâminas, pontas de projetis e machadinhas (popularmente conhecidas como “canivetes suíços” do período Paleolítico), com 44 candidatos selecionados subsequentemente para testes. Dessa amostra, 17 ferramentas forneceram testes positivos para resíduos de proteínas, i.e., sangue e outros produtos animais.”

Isso não significa que as milhares de outras ferramentas não possuíam resíduos. Isso apenas significa que das 44 que eles decidiram testar com imunoeletroforese, 17 delas (38%) ainda possuíam proteínas animais. Se as ferramentas tivessem sido deixadas em um pântano que secou (“um dos últimos refúgios úmidos no NE da Jordânia”), seria difícil de acreditar que restassem quaisquer traços de carne. Mas os pesquisadores parecem mais impressionados com a inteligência dos caçadores.

“Baseando-se em dados líticos, faunais, paleoambientais e de resíduos de proteínas, concluímos que os hominídeos do Pleistoceno Superior eram capazes de sobreviver em ambientes extremamente áridos apoiando-se em adaptações surpreendentemente humanoides, incluindo uma ampla base de subsistência, jogos de ferramentas modificadas e estratégias para evitar predadores e para proteção das carcassas.” 

Os tipos de planejamento e raciocínio evidenciados nas ferramentas “divergem significativamente do que deveríamos esperar dessas espécies extintas,” diz o artigo. Assim, se eles estão surpresos pela sabedoria inesperada dos antigos, por que deveriam os observadores neutros acreditar no que eles dizem acerca da idade das ferramentas? Por que deveriam os caçadores ser chamados de “hominídeos” ao invés de pessoas de talento?

Parece que os caçadores eram mais sábios do que seus ingênuos descendentes que não podem, por suas vidas, questionar as longas eras ensinadas pelos contadores de história darwinistas.

Traduzido por Rodrigo M. Pontes de “Proteins Resídue Found on Hominin Stone Tools”, Creation Evolution Headlines.

Animal extinto há 4 milhões de anos é encontrado vivo

Um pequeno animal marinho que os cientistas pensavam estar extinto pelos últimos quatro milhões de anos acaba de ser encontrado vivinho da silva na Nova Zelândia.
Este “fóssil vivo” é um pólipo de tentáculos do gênero Protulophila. Anteriormente, ele só havia sido encontrado em depósitos fósseis no hemisfério norte, especificamente na Europa e no Oriente Médio.
Os cientistas pensam que sua história se estende 170 milhões de anos de atrás [na cronologia evolucionista], no Jurássico Médio, antes de eles terem sido supostamente “extintos” no Plioceno. O último vestígio conhecido desses animais foi visto em rochas de quatro milhões de anos de idade [na cronologia evolucionista].
Os paleontólogos pensavam que os Protulophila eram hidróides coloniais (semelhantes a uma hidra) relacionados com os corais e anêmonas do mar. O animal forma uma rede de canais e furos microscópicos no interior de tubos de vermes marinhos chamados de serpulídeos.

A surpresa

Este ano, exemplos fósseis mais novos foram descobertos por pesquisadores do Instituto Nacional de Água e Pesquisa Atmosférica da Nova Zelândia, do Museu de História Natural de Londres, na Inglaterra, e da Universidade de Oslo, na Noruega, durante um trabalho de campo em Wanganui, na costa oeste da Ilha do Norte, na Nova Zelândia.
Eles encontraram evidências fósseis de pequenos pólipos Protulophila em tubos fossilizados em rochas jovens (geologicamente falando), com menos de um milhão de anos de idade.
Depois de encontrar os animais “extintos” nessas rochas, a equipe examinou o interior de tubos serpulídeos da coleção do Instituto Nacional de Água e Pesquisa Atmosférica e encontrou exemplos de Protulophila que tinham sido negligenciados.
Essas amostras tinham sido coletadas tão recentemente quanto em 2008, em águas com profundidade de 20 metros perto da cidade de Picton, no canto nordeste da Ilha do Sul, na Nova Zelândia.

Não só vivo como já conhecido

Agora, os cientistas sugerem que Protulophila seja a fase de pólipo de um hidróide cujo apenas o estágio de medusa é conhecido.
“Muitas espécies de hidrozoários têm um ciclo de vida de dois estágios e, em muitos casos, essas duas fases acabam não sendo relacionadas [pelos cientistas]. Nossa descoberta pode, portanto, significar a resolução de dois quebra-cabeças ao mesmo tempo”, explica Dennis Gordon, do Instituto Nacional de Água e Pesquisa Atmosférica da Nova Zelândia.
A equipe agora espera coletar amostras frescas do animal “ressuscitado” para realizar um sequenciamento genético.

(Hyperscience)

Nota: Mais uma criatura para a já extensa lista dos chamados "fósseis vivos", isto é, animais ou plantas que permaneceram por supostos milhões de anos sem sofrer modificações expressivas. Isso não é uma defesa de algo que os evolucionistas chamariam de "fixismo". Todavia, o fato de encontrarmos, do microscópico ao macroscópico, criaturas que vivem hoje e que são praticamente idênticas a outras que chegaram a conviver com os dinossauros deveria ser levado em consideração quando se propõe que milhões de anos teriam decorrido entre a morte dos organismos fossilizados e a descoberta dos espécimes vivos. [RMP]

O vegetarianismo a ajudou a superar o câncer


O manual do meu veículo traz uma série de orientações com respeito ao seu funcionamento e manutenção, inclusive o tipo de óleo e de combustível que se deve utilizar. Mas o carro é meu e, seu eu quiser, posso usar amaciante de roupas no lugar de óleo lubrificante. Como você sabe, o resultado disso seria catastrófico para o motor. E de quem seria a culpa, do fabricante ou minha? Por mais absurda que pareça essa situação, é exatamente isso que vejo por toda parte quando o assunto é saúde. Recebemos de nosso Criador um manual de instruções sem igual nos explicando como cuidar de nosso corpo. Mas a maior parte do mundo simplesmente dá as costas para isso e escolhe um estilo de vida que fatalmente acabará causando um colapso em sua saúde. E quando surgem as doenças, então muitos se voltam para Deus e perguntam por que é que aquilo lhes está acontecendo. Outros tantos se entregam ao ateísmo. Mas algumas pessoas tomam a decisão correta, e esse é o caso de Maria Aparecida Marques. Ela foi diagnosticada com câncer por duas vezes e decidiu combater a doença com os remédios que foram colocados em nossas mãos desde a criação. Assista e confira!

Bactérias de supostos 3,5 bilhões de anos tinham complexos de proteínas iguais aos das bactérias da atualidade

Os pesquisadores estão ressuscitando antigos complexos de proteínas de bactérias para determinar como as células de 3,5 bilhões de anos atrás [na cronologia evolucionista] funcionavam quando comparadas às atuais. Surpreendentemente, elas não eram tão diferentes, como relata um estudo publicado em 9 de junho na Cell Chemical Biology. A despeito da hipótese de que os organismos primordiais possuíam proteínas enzimáticas simples, a evidência sugere que as bactérias que existiam 500 milhões de anos após a vida começar já possuíam a maquinaria celular sofisticada que existe nos dias de hoje [grifo nosso].

Não há fósseis de bactérias de 3,5 bilhões de anos disponíveis, mas os cientistas são capazes de reconstruir a forma como suas enzimas podem ter se parecido baseando-se em árvores filogenéticas de proteínas das bactérias que vivem hoje. A comparação da sequência de aminoácidos de mais de 50 bactérias ajudou a gerar computacionalmente sequências para as subunidades de proteínas de um complexo de enzimas que era, muito provavelmente, similar ao encontrado no último ancestral comum das bactérias. Os pesquisadores então produziram esse antigo complexo de enzimas para estudar sua estrutura e função.

“Existe uma teoria geralmente aceita (veja as citações abaixo) que afirma que as enzimas muito antigas não eram tão sofisticadas quanto hoje,” diz o autor sênior Reinhard Sterner, do Instituto de Biofísica e Físico-Bioquímica da Universidade de Regensburg na Alemanha. “Mas usamos o método da reconstrução de sequência de ancestrais para voltar tanto quanto possível no tempo evolucionário e mostrar que o complexo triptofano sintase do último ancestral comum das bactérias era sofisticado –caracterizado pela alta atividade enzimática e comunicação entre subunidades tal como se observa nos complexos enzimáticos modernos” [grifo nosso].

“Nossos dados e resultados similares que foram encontrados por outras pessoas sugerem que as enzimas já eram sofisticadas há 3,5 bilhões de anos, mas isso foi uma surpresa porque a evolução biológica começou somente há 4 bilhões de anos,” diz o coautor Rainer Merkl, também de Regensburg. “Concluímos que nessa fase bastante primitiva da evolução biológica – entre 4 bilhões e 3,5 bilhões de anos atrás – nós provavelmente possuíamos enzimas primitivas com baixa eficiência, mas esses 500 milhões de anos foram suficientes para essas enzimas se tornarem totalmente sofisticadas.”

O que aconteceu nesse intervalo de 500 milhões de anos para colocar pressão evolucionária sobre as bactérias para produzirem complexos enzimáticos é um mistério. É muito difícil criar essas estruturas, uma vez que um complexo envolve múltiplas subunidades que catalisam diferentes reações isoladamente e também como respostas de umas às outras. Uma vez formados, contudo, esses complexos não foram seriamente alterados em bilhões de anos de evolução subsequente, provando sua eficiência [grifo nosso].

Na sequência dos estudos, Sterner e seus colegas desejam continuar a usar o método da reconstrução da sequência de ancestral para entender melhor as etapas exatas que levaram à formação do complexo triptofano sintase e sua adaptação a hábitos específicos.

(Traduzido por Rodrigo M. Pontes de: Cell Press. "Bacteria perfected protein complexes more than 3.5 billion years ago." ScienceDaily. ScienceDaily, 9 June 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/06/160609134243.htm>. “Bacteria perfected protein complexes more than 3.5 billion years ago”)

Referências:
[1] Busch et al. Ancestral Tryptophan Synthase Reveals Functional Sophistication of Primordial Enzyme Complexes. Cell Chemical Biology, 2016 DOI: 10.1016/j.chembiol.2016.05.009
[2] R A Jensen. Enzyme Recruitment in Evolution of New Function. Annual Review of Microbiology, 1976; 30 (1): 409 DOI: 10.1146/annurev.mi.30.100176.002205

Bactérias consideradas as formas de vida mais antigas na Terra eram apenas rachaduras em cristais

A explosão do Cambriano é uma das muitas pedras nos sapatos dos defensores da Teoria da Evolução. Isso os tem levado a um busca desesperada por formas de vida simples nas camadas pré-cambrianas que apresentem qualquer conexão com aquelas encontradas nas camadas superiores. Algumas algas e supostas bactérias são relatadas nessas camadas pré-cambrianas, mas não se veem ali formas intermediárias claramente identificáveis como ancestrais de trilobitas ou de braquiópodes, por exemplo. Uma explicação simples para a presença de algas e bactérias nessas regiões é a observação de que nos dias atuais algas e bactérias também habitam rochas profundas. Na época do dilúvio, essas criaturas poderiam ter sido fossilizadas ali.

Estruturas microscópicas filamentosas, encontradas na Austrália ocidental, são consideradas por evolucionistas as formas de vida mais antigas de que se tem relato. As rochas nas quais essas estruturas se localizam têm idades estimadas em 3,5 bilhões de anos, na cronologia evolucionista. Essas estruturas foram encontradas há mais de duas décadas e foram identificadas como fósseis de bactérias fotossintéticas do Archeano.

Pois bem, um grupo de pesquisadores do Instituto Carnegie decidiu fazer aquilo que sempre coloca os evolucionistas em maus lençóis, ou seja, analisar as alegações de forma detalhada. Os pesquisadores, usando técnicas de construção de imagens sofisticas, observaram os interstícios entre os grãos microscópicos de cristais de quartzo nas vizinhanças de um dos supostos microfósseis e descobriram que esses interstícios estavam preenchidos por carbono.

Quando os pesquisadores olharam para o suposto microfóssil usando essa mesma técnica, perceberam que o filamento dividia vários pequenos microcristais, de forma que partes correspondentes desses microcristais eram encontradas nos dois lados dos filamentos. Isso é como cortar uma laranja ao meio e colocar um objeto entre as duas metades. Não é o que se espera de um processo de fossilização. Além disso, o carbono encontrado ao longo do filamento liga-se a outros veios que parecem estar preenchendo fissuras e o filamento parece também estar conectado a uma espécie de cratera local que não faz o menor sentido do ponto de vista biológico. Tudo isso indica que a rocha hospedeira e a estrutura filamentosa não se formaram juntamente. Ao invés disso, o cristal maior no qual a estrutura filamentosa é encontrada se partiu (dividindo também os grãos de tamanho menor) e as fissuras formadas foram posteriormente preenchidas por material rico em carbono. Em outras palavras, olhar para essa estrutura e ver ali uma bactéria é como olhar para as nuvens e tentar identificar figuras familiares.

O estudo não afirma que todas as estruturas microscópicas desse tipo são pseudofósseis, mesmo porque nem todas foram estudadas com o mesmo rigor, mas nos mostra que deve-se exercitar muita cautela para não tirar conclusões precipitadas baseadas em uma visão de mundo equivocada e sem o suporte experimental necessário.




Referências:

[1] D.M. Bower, A. Steele, M.D. Fries, O.R. Green, J.F. Lindsay, Raman Imaging Spectroscopy of a Putative Microfossil from the 3.46 Ga Apex Chert: Insights from Quartz Grain Orientation, Astrobiology. 16 (2016) 169.



Proteínas com 18 milhões de anos?

Um grupo de pesquisadores do Carnegie Institution for Science apresentou no último ano uma descoberta bastante intrigante. John Nance, John Armstrong, George Cody, Marilyn Fogel e Robert Hazen coletaram amostras de conchas fossilizadas de um molusco similar a um caracol chamado Ecphora, que viveu no Mioceno médio entre 8 e 18 milhões de anos atrás.

As conchas são formadas por compostos cristalinos de carbonato de cálcio intercalados com uma matriz orgânica de proteínas e açúcares. Essas proteínas ajudam a manter os componentes da concha unidos. As conchas também contêm pigmentos (compostos orgânicos, assim como as proteínas), que no caso da Ecphora são responsáveis por uma coloração marrom avermelhada bastante característica.

O que chamou a atenção dos pesquisadores foi justamente o fato das conchas de Ecphora possuírem essa coloração, ao contrário do que ocorre para a grande maioria dos restos de moluscos, que acabam se transformando em uma forma de giz branco. Se esses pigmentos orgânicos foram preservados, não seria o caso de as proteínas que compõem a concha também terem resistido ao tempo?

Pensando nessa possibilidade, os pesquisadores trataram as amostras de concha com ácido diluído (que dissolve o carbonato de cálcio). O resultado foi surpreendente. Folhas de proteínas de mais de um centímetro revelaram-se intactas. Mas não é só isso, as proteínas da Ecphora, de supostos milhões de anos de idade, mostraram-se semelhantes às proteínas das conchas dos moluscos modernos em sua composição química.

Compostos orgânicos, como as proteínas, se degradam com muita facilidade. Ainda que essas proteínas estivessem de certa forma protegidas pelo carbonato de cálcio, é difícil imaginá-las intactas por até 18 milhões de anos.

Pois bem, a partir disso poderíamos fazer uma previsão científica criacionista: essas proteínas contêm carbono-14 detectável. Uma datação por carbono-14 mostrará que o molusco morreu há poucos milhares de anos e não há milhões de anos. Mas os pesquisadores que descobriram esse material jamais submeterão suas amostras a esse tipo de análise porque, obviamente, esse fóssil possui milhões de anos (na visão deles). Mais do que isso, ele precisa possuir milhões de anos, porque do contrário o castelo de cartas evolucionista desmorona.

 Tecidos moles encontrados em fósseis de dinossauros foram enviados para laboratórios de datação bem conceituados e as análises revelaram carbono-14 detectável (livre de contaminação) e idades de milhares de anos (não de milhões de anos) (confira aqui e aqui). Mas você não vai ver esses resultado publicados na Nature ou na Science, porque (como disse o editor que excluiu o resumo desse trabalho dos anais de um congresso) eles estão obviamente errados. Será mesmo?


Referências:

Nance, J.R., Armstrong, J.T, Cody, G.D., Fogel, M.L., Hazen, R.M. (2015) Preserved macroscopic polymeric sheets of shell-binding protein in the Middle Miocene (8 to 18 Ma) gastropod Ecphora. Geochem. Persp. Let. 1, 1-9.

Carnegie Institution for Science ,15 million-year-old mollusk protein found. <https://carnegiescience.edu/news/15-million-year-old-mollusk-protein-found>

Análises de DNA mostram que mamutes de espécies diferentes eram capazes de gerar descendentes férteis

Uma espécie pode ser definida como um grupo de animais similares que podem se reproduzir com sucesso e gerar descendentes férteis. Usando diferenças no tamanho e na forma de seus dentes fossilizados, um grande número de espécies de mamutes norte-americanos têm sido identificadas. Mas alguns cientistas não estão confiantes de que esse método de categorização de espécies revele toda a história.

"As fronteiras entre as espécies podem ser bem desfocadas. Podemos encontrar diferenças nas características do dente ou do esqueleto que correspondam muito bem ao que imaginamos ser verdadeiras fronteiras entre espécies. Mas outras características podem não corresponder a essas fronteiras, sugerindo que aquilo que havíamos inicialmente considerado como espécies separadas não o são de fato", explica Hendrik Poinar, um professor da Universidade de McMaster, no Canadá, que co-liderou o novo estudo juntamente com um antigo estudante de graduação seu, Jake Enk, e o colaborador Ross MacPhee, um professor no Museu Americano de História Natural.

O professor Poinar e seus co-autores usaram métodos de ponta para distinguir espécies de mamutes norte-americanos. Pequenas amostras de ossos de mamutes fossilizados, dentes e fezes foram doados generosamente por um grande número de museus através da América e do Canadá. O DNA foi extraído dessas amostras em um laboratório especializado do centro Ancient DNA, na Universidade de McMaster, e usado para criar uma árvore genealógica de sua evolução. Os resultados mostraram-se bastante interessantes.

Historicamente imaginava-se que os mamutes norte-americanos, tais como os mamutes-columbianos e os mamutes-lanosos, originaram-se de duas espécies primitivas separadas. Contudo, esta última análise de DNA harmoniza-se com uma ideia mais recente de que todos os mamutes norte-americanos originaram-se de uma única espécie primitiva, o mamute-da-estepe.

"Indivíduos dos mamutes-lanosos e columbianos parecem representar diferentes espécies em termos de seus dentes molares, mas sua genética diz que eles não estiveram completamente separados no sentido evolucionário e podiam entrecruzar com sucesso," diz o professor MacPhee.

O professor Poinar continua, "os mamutes eram muito melhor em se adaptar a novos habitats do que havíamos imaginado a princípio — suspeitamos que subgrupos de mamutes evoluíram para lidar com as condições locais, mas mantiveram a continuidade genética pelo encontro e potencial entrecruzamento de uns com os outros onde os seus dois habitas se sobrepunham, tais como nos limites das geleiras e mantos de gelo."

Assim, enquanto os mamutes claramente evoluíram diferenças em sua aparência física para lidar com os diferentes ambientes, isso não os proibiu de procriação cruzada e de produzir descendências saudáveis.

A despeito dessa aparente adaptabilidade, que deveria certamente ser uma receita para o sucesso, os mamutes desapareceram da face da Terra 10.000 anos atrás. "Suspeita-se que os humanos tenham sido a causa, mas isso não está de forma alguma provado. A explicação do desaparecimento dos mamutes e uma imensidão de outras criaturas da Era do Gelo continua a ser um enigma fascinante em peleobiologia," conclui o professor MacPhee.

Além de desafiar o método clássico para definir uma espécie, os autores acreditam que as descobertas desse estudo são apenas o começo da compreensão da história evolucionária dos mamutes. Técnicas para extrair e analisar DNA antigo têm experimentado um melhoramento tremendo nos anos recentes e, à medida em que essas tecnologias continuam a melhorar, podemos esperar novos avanços.

(Traduzido por Rodrigo M. Pontes de: DNA proves mammoths mated beyond species boundaries, ScienceDaily)

Nota. Carl Werner, em seu livro Living Fossils, apresenta uma quantidade enorme de fósseis da época dos dinossauros que são impressionantemente similares às espécies modernas. No entanto, esses animais e plantas recebem nomes de espécies e até de gêneros diferentes. Será que se tivéssemos acesso ao DNA desses indivíduos, assim como no caso dos mamutes, realmente faria sentido classificá-los como espécies diferentes?

Por outro lado, se é geneticamente possível que uma única espécie de mamute tenha dado origem a todas as espécies desses animais na América do Norte, seria realmente um absurdo imaginar que a preservação de tipos básicos de animais bem selecionados poderia ter sido suficiente, através de adaptações, para povoar toda a terra com as espécies que conhecemos hoje?

Morcegos ensinando drones a voar

Em um artigo publicado na Scientific Reports, [1] um grupo de pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, relata o resultado de experimentos realizados com morcegos de orelhas longas em um túnel de vento. Ao contrária do que se imaginava, as grandes orelhas desses animais não representam um obstáculo aerodinâmico durante seu voo, mas acabam auxiliando a sustentação dos morcegos no ar.

“Nós mostramos como o ar atrás do corpo de um morcego de orelha longa acelera-se para baixo, o que significa que o corpo e as orelhas fornecem elevação. Isso distingue os morcegos de orelha longa de outras espécies que têm sido estudadas e indica que as orelhas grandes não criam meramente forte resistência, mas também auxiliam o animal a permanecer elevado,” diz Christoffer Johansson Wertheim. [2]

Além disso, os pesquisadores conseguiram entender melhor a técnica de voo desses morcegos em velocidades baixas:

“Também encontramos um novo mecanismo que os morcegos usam para gerar forças de impulso. Eles o usam em velocidades de voo muito baixas. Essas forças de impulso são produzidas quando as asas estão estendidas para longe do corpo, o que significa que elas se tornam muito boas para manobras (…).O controle de voo a baixas velocidades é bastante desafiador (…). Imaginamos que essa seja uma contribuição importante para os mecanismos de controle em drones no futuro.” [2]

A figura abaixo foi obtida no site da NASA [3] e descreve o problema “simples” das forças agindo em um foguete durante seu voo. Como seria o conjunto de equações que descreveria o voo dos morcegos estudados pelos pesquisadores de Lund? A própria existência de leis físicas fundamentais, arranjadas segundo um delicado ajuste fino que possibilite a existência da matéria e do universo, já é um obstáculo tremendo à concepção materialista do mundo. A combinação dessas leis fundamentais para compor uma obra prima como o voo de um animal (tal qual descrito na pesquisa) chega a ser um golpe de misericórdia.



No livro Evolution: The Grand Experiment, Carl Werner coletou entrevistas com diversos especialistas em evolução de morcegos. A declaração seguinte deixa muito claro o estado das coisas na atualidade:

“Encontramos mais de 650-670 espécimes até agora [apenas nesse local da Alemanha]. Não temos um registro fóssil de morcegos durante o período Cretáceo. Isso significa que dependemos somente de especulação, sobre quando ela começou [a evolução dos morcegos] e o que aconteceu naqueles tempos.” (Dr. Joerg Habersetzer, especialista em evolução de morcegos, Senckenberg Museum of Natural History, Frankfurt, Alemanha). [4]


Referências:

[1] L. C. Johansoon, J. Hakansson, L. Jakobsen, A. Hedenstrom, Ear-body lift and a novel thrust generating mechanism revealed by the complex wake of brown long-eared bats (Plecotus auritus), Scientific Reports, vol 6, p. 24886, 2016.

[2] Lund University, News and Press Releases, WATCH: How studying bats’ flight technique could lead to drone development. <http://www.lunduniversity.lu.se/article/watch-how-studying-bats-flight-technique-could-lead-to-drone-development>, 05/05/2016.

[3] NASA, Flight equations with drag, <https://www.grc.nasa.gov/www/k-12/rocket/flteqs.html>, 05/05/2016.

[4] C. Werner, Evolution: The Grand Experiment Vol. 1, 3rd ed., New Leaf Press, 2014. (Edição para Kindle, localização 1315)
 

sábado, 28 de janeiro de 2017

As mutações são notavelmente prejudiciais, estudo confirma

Antes de ler a nota divulgada pela Universidade de Edimburgo, leia o pequeno destaque do livro A Ciência Descobre Deus, de Ariel A. Roth, descrevendo o efeito das mutações:

“As mutações são notavelmente prejudiciais. Uma proporção quase sempre mencionada é de apenas uma mutação benéfica para mil nocivas, mas não temos dados sólidos sobre isso. (…) Esperaríamos que praticamente qualquer tipo de mudança casual, acidental, como as mutações, fosse danosa, visto que estamos lidando com sistemas vivos complexos que já se encontram em atividade. As mudanças nesses sistemas, em geral, os levariam a não funcionar tão bem, ou simplesmente não funcionar. Mudar uma única peça de um sistema complexo pode ser prejudicial a várias outras partes dependentes da ação daquela parte determinada. Como ilustração, quanto de melhoramento você esperaria na complexa página que está lendo agora, se fossem inseridas mudanças tipográficas acidentais? Quanto mais se muda, pior fica. Quanto mais complexo um sistema for, mais difícil será mudá-lo e ainda conseguir que funcione.” [1]

Vamos então ao resultado da pesquisa.


Estudo genético mapeia o efeito das mutações [2,3]

Cientistas mapearam como milhares de mutações genéticas podem afetar as chances de sobrevivência de uma célula.

Esse estudo envolvendo leveduras revela como diferentes combinações de mutações em uma única célula podem influenciar sua sobrevivência ou morte.

Foi a primeira vez que os cientistas puderam medir os efeitos de cada combinação possível de mutações em um gene.

Os pesquisadores dizem que a técnica usada em sua pesquisa poderia ajudar em estudos sobre os efeitos de mutações genéticas que são relacionadas a doenças em pessoas.

A equipe da Universidade de Edimburgo produziu 60.000 descendências de levedura, cada uma com uma combinação diferente de mutações em um único gene.

Então, ele observaram as células para ver que efeito as mutações tinham sobre a sobrevivência e se as diferentes combinações genéticas ajudavam as leveduras a se sairem melhor ou pior.

Em alguns casos, os efeitos das diferentes mutações se cancelavam mutuamente e as células sobreviviam. Os efeitos de outras mutações se somavam para reduzir grandemente as chances de sobrevivência das células. [grifo nosso]

As mudanças genéticas que possuem os maiores efeitos combinados na sobrevivência tendem a se localizar próximas umas das outras na estrutura tridimensional do material genético, diz o estudo.

Isso significa que a técnica poderia ajudar os cientistas a prever as formas das moléculas codificadas em nossos genes. A pesquisa, publicada no periódico Science, recebeu financiamento do Medical Research Council (MRC) e do Welcome Trust.

“Nós jogamos 60.000 descendências mutantes de levedura umas contra as outras em uma luta pela sobrevivência. Aquelas que sobreviveram foram capazes de produzir mais cópias de si mesmas e dominaram a população. Isso é evolução em ação” (Dr. Grzegorz Kudla, MRC Human Genetic Unit).

As células sem nenhuma mutação se saíram melhor e se reproduziram mais rápido do que qualquer uma entre as descendências mutantes [grifo nosso], o que nos diz que este gene em particular foi otimamente configurado pela evolução” (Dra. Olga Puchta, MRC Human Genetics Unit)


Mapa descrevendo o efeito das mutações na sobrevivência de células de leveduras. As regiões em vermelho representam as mutações que se cancelam mutuamente. As regiões em verde representam as mutações que atuam em conjunto para reduzir as chances de sobrevivência.







Fonte: Universidade de Edimburgo


Nota:

Se a Teoria da Evolução se limitasse a defender a sobrevivência dos mais aptos, isso seria aceitável. Mas a Teoria da Evolução defende que mutações aleatórias, filtradas por seleção natural, teriam sido capazes de construir toda a tecnologia molecular responsável pela viabilidade da vida, bem como toda a diversidade de seres vivos e suas complexas estruturas de funcionamento. Não existe tal evidência no nível molecular. O papel predominantemente deletério das mutações, reforçado por mais esse artigo da Science, encontra-se em perfeita concordância com a proposta criacionista de degeneração dos seres vivos após a queda.

Segundo o Dr. Kudla, a sobrevivência das células mais aptas em seu experimento é uma demonstração de evolução, “isso é evolução em ação”, diz ele. O detalhe importante aqui é que as células mais aptas eram as originais, aquelas que não haviam sofrido mutações. Isso não é evolução e não demonstra o suposto poder do mecanismo de seleção natural para a construção de sistemas bioquímicos complexos.

A Dra. Puchta afirma que “As células sem nenhuma mutação se saíram melhor e se reproduziram mais rápido do que qualquer uma entre as descendências mutantes”. Esse é o resultado nu e cru da pesquisa. A afirmação seguinte, "o que nos diz que este gene em particular foi otimamente configurado pela evolução”, é pura interpretação baseada na visão de mundo evolucionista. [RMP]


Referências:
[1] A. R. Roth, A Ciência Descobre Deus, Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, 2010. Pg. 111.
[2] University of Edinburgh, Gene study charts mutation effects, 14 de abril de 2016. (Traduzido por Rodrigo M. Pontes). <http://www.ed.ac.uk/news/2016/gene-study-charts-mutation-effects>.
[3] O. Puchta, B. Cseke, H. Czaja, D. Tollervey, G. Sanguinetti, G. Kudla. Network of epistatic interactions within a yeast snoRNA. Science, 2016; DOI: 10.1126/science.aaf0965

Pakicetus, uma baleia com pernas?

“Estivemos ansiosamente antecipando alguma descoberta desse tipo, mas não estávamos preparados para uma evidência tão convincente da estreita relação faunal entre a Ásia oriental e a América do Norte ocidental tal como é revelado por esse diminuto espécime.”[1] Essas palavras aparecem logo na quinta linha do artigo publicado por Henry F. Osborn em 1922 na revista Science, no qual ele descreve o famoso homem de Nebraska. A evidência tão convincente à qual ele se referia era um dente de cerca de 1 cm. Apenas isso. No artigo, Osborn discute detalhadamente as características do dente que o levaram a concluir que ele havia pertencido a um ancestral do homem. Em 1927, a Science se viu obrigada a publicar uma retratação com o título “Hesperopithecus apparently not an ape nor a man” (Hesperopithecus, aparentemente nem macaco nem homem).[2] O restante do esqueleto ao qual pertencia o dente havia sido encontrado. Tratava-se de um javali extinto!
 
Mas a ciência vive de erros e acertos e, naturalmente, o tipo de abordagem que levou ao homem de Nebraska seria revisto no futuro para que não se repetisse tamanho vexame. Certo? Errado. As baleias que o digam.

A capa da edição de 22 de abril de 1983 da Science, 61 anos depois da publicação do homem de Nebraska, estampava um animal meio mamífero terrestre, meio baleia.[3] Na ilustração, o animal saía da margem de uma praia e mergulhava para buscar comida na água. Tratava-se do Pakicetus, nome dado à estranha criatura encontrada no Paquistão.

O Dr. Philip D. Gingerish, lider da pesquisa que apresentou o Pakicetus à comunidade científica, declarou na época que “o Pakicetus e outros cetáceos do início do Eoceno representam um estágio anfíbio na transição evolucionária gradual das baleias primitivas da terra para o mar.” [3] Mas o que era realmente conhecido a respeito do Pakicetus? Apenas fragmentos dos ossos do crânio. A partir deles, todo o crânio foi reconstruído e nele foram adicionadas características que não podiam ser deduzidas apenas com base nos fragmentes. Supôs-se que o Pakicetus possuísse olhos nas laterais da cabeça, como as baleias, e um respirador no topo do focinho. Esse respirador estaria a meio caminho da posição dos respiradores das baleias modernas. Supôs-se, ainda, que o Pakicetus possuísse nadadeiras, que não tivesse um pescoço visível (como nas baleias) e que podia tanto caminhar em terra como nadar no mar, como as baleias.

18 anos depois de o Dr. Gingerich ter encontrado os fragmentos do crânio do Pakicetus, outros 4 crânios parciais e 150 ossos de Pakicetus foram descobertos, permitindo que os cientistas construissem um esqueleto quase completo.[4] Com base nas novas descobertas, pôde-se concluir que o Pakicetus não se assemelhava nada com o animal que estampou a capa da Science em 1983. Ele na verdade possuía um nariz na extremidade do focinho, não um respirador de baleia, pés preparados para correr (não nadadeiras), pescoço longo e visível (não ausente, como nas baleias) e olhos no topo da cabeça (não nas laterais). Não seria um exagero chamar o Pakicetus de a “baleia de Nebraska”.
 
Mesmo assim, nos dias de hoje ainda se insiste em que o Pakicetus esteja na linha de ancestralidade dos cetáceos modernos com base em características como uma suposta semelhança entre suas bulas auditivas. Os cetáceos modernos possuem uma estrutura chamada de processo sigmoide, algo similar a um polegar estendido. Segundo o Dr. Zhe-Xi Luo, especialista em evolução de mamíferos, o Pakicetus não possuía um processo sigmoide na bula auditiva, mas simplesmente uma placa plana. Placas como essa são encontradas em mamíferos terrestres.[5]  Observe a figura ao lado e tire suas próprias conclusões.
 
A história toda de como esse animal acabou sendo chamado de baleia é um exemplo muito interessante de como a visão de mundo de um cientista possui um peso decisivo em suas interpretações, especialmente quando tentamos reconstruir a história de um passado do qual sobraram apenas alguns vestígios. Os fragmentos de crânio encontrados pelo Dr. Gingerinsh constituem os dados experimentais dos quais ele dispunha. O significado que ele atribuiu àqueles fragmentos foi pura interpretação baseada em sua visão de mundo evolucionista.

A mídia cientifica muito frequentemente nos apresenta os dados fósseis e sua interpretação evolucionista como um conjunto indissociável. Extrapolações e inferências são apresentadas como fatos incontestáveis e procura-se lançar ao ridículo aqueles que se atrevem a olhar para os mesmos dados com uma visão de mundo diferente. É preciso ter isso em mente quando nos forem apresentados os próximos homens-macaco e baleias com pernas.



O Pakicetus atualizado.

Referências

[1]    H.F. Osborn, Hesperopithecus, the first anthropoid primate found in America, Science, 55 (1922) 463–465. doi:10.1126/science.55.1427.463.
[2]    W.K. Gregory, Hesperopithecus apparently not an ape nor a man, Science, 66 (1927) 579–581. doi:10.1126/science.66.1720.579.
[3]    P.D. Gingerich, N.A. Wells, D.E. Russell, S.M.I. Shah, Origin of Whales in Epicontinental Remnant Seas: New Evidence from the Early Eocene of Pakistan, Science, 220 (1983) 403–406. doi:10.1126/science.220.4595.403.
[4]    J.G.M. Thewissen, E.M. Williams, L.J. Roe, S.T. Hussain, Skeletons of terrestrial cetaceans and the relationship of whales to artiodactyls, Nature. 413 (2001) 277–281. doi:10.1038/35095005.
[5]   C. Werner, Evolution: The Grand Experiment Vol. 1, 3rd ed., New Leaf Press, 2014.

Gene chave no desenvolvimento da doença celíaca foi encontrado no DNA “lixo”



40% da população carrega o principal fator de risco para a doença celíaca, mas somente 1% acaba por desenvolvê-la. Um novo gene que influencia seu desenvolvimento foi encontrado naquilo que até recentemente era conhecido como DNA “lixo”. A pesquisa, da qual um grupo da UPV/EHU participou, foi publicada na Science.

A doença celíaca é uma doença imunológica crônica que se manifesta como intolerância a proteínas de glúten presentes no trigo, no centeio e na cevada. Essa intolerância leva a uma reação inflamatória no intestino delgado que dificulta a absorção de nutrientes. O único tratamento é uma dieta livre de glúten por toda a vida.

Sabe-se há algum tempo que a doença celíaca se desenvolve em pessoas que possuem uma suscetibilidade genética, mas a despeito do fato de que 40% da população carrega o fator de risco mais decisivo (os polimorfismos HLA-DQ2 e DQ8), somente 1% acaba desenvolvendo a doença. “O que temos aqui é uma complexa doença genética na qual muitos polimorfirmos desempenham um papel, cada um fazendo uma pequena contribuição para seu desenvolvimento,” explica a pesquisadora do UPV/EHU Ainara Castellanos, que liderou o trabalho publicado na Science.

Um dos fatores de risco adicionais deve ser encontrado, de acordo com essa pesquisa, no chamado DNA “lixo”; em outras palavras, em 95% do DNA. Esta é a parte menos conhecida porque, ao contrário dos outros 5%, ela não está envolvida na síntese de proteínas. Contudo, tem-se lançado luz gradualmente sobre seu papel no controle do funcionamento geral do genoma. Em outras palavras, ela regula processos importantes em nosso organismo, tais como a resposta imune, e é lá que deve ser possível encontrar as causas de doenças autoimunes como a doença celíaca.

Um gene chave no controle de respostas inflamatórias observadas em pacientes celíacos foi encontrado em uma das regiões do genoma lixo: trata-se do 1nc13. O ácido ribonucleico produzido por esse gene pertence à família de RNAs longos e não codificadores, ou lncRNA, e é responsável por manter os níveis normais de expressão de genes pró-inflamatórios. Em celíacos, esse RNA não-codificante dificilmente é produzido e assim os níveis desses genes inflamatórios não são propriamente regulados e sua expressão é aumentada. Mas além de ser produzido em pequenas quantidades, o 1nc13 produzido pelos pacientes celíacos possui uma variante que altera sua maneira de funcionar. “Dessa forma, um ambiente inflamatório é criado e o desenvolvimento da doença é encorajado,” disse Ainara Castellanos.

“Este estudo confirma a importância de regiões do genoma previamente consideradas como 'lixo' no desenvolvimento de queixas comuns como a doença celíaca e abre a porta de uma nova possibilidade para o diagnóstico. Exatamente agora, estamos interessados em descobrir se os baixos níveis deste RNA são uma característica inicial da doença celíaca (e outras doenças imunes), que poderiam ser usados como uma ferramenta de diagnóstico antes de sua instalação,” explicou o professor de Genética da UPV/EHU José Ramón Bilbao, outro autor do trabalho.


Referências:
Ainara Castellanos-Rubio, Nora Fernandez-Jimenez, Radomir Kratchmarov, Xiaobing Luo, Govind Bhagat, Peter H. R. Green, Robert Schneider, Megerditch Kiledjian, Jose Ramon Bilbao, Sankar Ghosh. A long noncoding RNA that is associated with susceptibility to celiac disease. Science, 2016; 352 (6281): 91. DOI: 10.1126/science.aad0467.

Fonte: University of the Basque Country (traduzido por R. M. Pontes)

Vida artificial?

Comentário sobre Design and synthesis of a minimal bacterial genome. [1]

O artigo do grupo de Craig Venter, publicado recentemente na revista Science,[1] vem despertando a atenção daqueles que se interessam pela questão da origem da vida. A notícia publicada no jornal Folha de São Paulo, que fala da criação de um genoma a partir do “zero”, está muito longe daquilo que o artigo realmente significa, como foi bem explicado por Michelson Borges. Destaco abaixo algumas observações adicionais sobre o texto do grupo de Venter.

No sumário introdutório do artigo, os autores relatam: “Um design inicial, baseado em conhecimento coletivo de biologia molecular em combinação com dados de mutagênese por transposição limitada, falhou em produzir uma célula viável. (…) Outros três ciclos de design, síntese, e teste, com retenção dos genes quasi-essenciais, produziu a JCVI-syn3.0.” A atividade em questão é a de um grupo (grande) de cientistas, trabalhando durante anos, projetando algo. O que quer que resulte dessa atividade mostra que apenas design sofisticadíssimo é capaz de lidar com o funcionamento celular.

Ainda no sumário, lemos: “O conceito de célula mínima parece simples inicialmente, mas torna-se mais complexo após inspeção.” Simples não é um bom adjetivo para descrever qualquer tipo de célula. Toda célula é extremamente complexa a priori e a pesquisa de Venter apenas reforça esse fato.

Continuando no sumário: “Inesperadamente, ela também contém 149 genes com funções biológicas desconhecidas, sugerindo a presença de funções ainda não descobertas que são essenciais para a vida.” Como um software que foi planejado do zero contém 149 genes com funções desconhecidas?

Na introdução, os autores mencionam que “o genoma pode ser visto como um software.” Um software possui um autor, vem de uma (pelo menos) mente inteligente; é a única fonte conhecida capaz de construir um software. Os autores não afirmam que o genoma é um software, apenas que pode ser visto como um. Ainda assim, a analogia com o produto da atividade humana é bastante expressiva.

Depois, obtemos um pouco mais de detalhes sobre o processo de simplificação: “Temos nos interessado há bastante tempo em simplificar o software genômico de uma célula bacteriana pela eliminação de genes que não são essenciais para o crescimento celular sob condições ideais de laboratório.” Os genes em questão são não essenciais apenas sob condições bastante controladas. Em outras palavras, os cientistas estão suprindo de forma artificial aquilo que os chamados genes não-essencias deveriam suprir na natureza. Isso fica evidente quando lemos: “Pelo fato de nossa célula minimizada ser desprovida de biossíntese de aminoácidos, lipídios, nucleotídeos, e vitaminas, ela depende do meio rico para suprir quase todas essas pequenas moléculas necessárias.”

“Para sobreviver na natureza, a maioria das bactérias deve ser capaz de se adaptar aos numerosos ambientes.” Será que esses genes não essenciais em condições controladas não seriam as provisões já embutidas no código genético dessas bactérias para que elas pudessem se adaptar ao ambiente?

“Algumas bactérias, contudo, crescem em ambientes restritos e sofreram uma redução no genoma ao longo do tempo evolucionário. Elas perderam genes que não são necessários em um ambiente estável.” Evolução reduzindo o genoma? Seria interessante vermos exemplos de evolução aumentando o genoma (aumentando de verdade, não simplesmente duplicando o que já existe)?

“Em nossa primeira tentativa de produzir uma célula minimizada, começamos com a syn1.0 e usamos informação da literatura bioquímica, assim como dados de mutagênese por transposição, para produzir um design racional.” É mais ou menos assim (bem para menos) que imagino que o restante da natureza tenha sido produzido.

“Genes relacionados com a membrana correspondem a 84 (18%) do total de 473 genes da syn3.0. As categorias incluídas (…) são lipoproteínas, transporte de cofatores, sistemas de efluxo, proteínas de transporte, e outros sistemas de transporte das membranas.” Em um genoma mínimo, tudo isso já tem que estar presente. Uma célula realmente seria viável sem toda essa maquinaria? O que a pesquisa mostra é que a resposta é um sonoro NÃO; um grande problema para os advogados da geração espontânea.

“Uma célula mínima é normalmente definida como uma célula na qual todos os genes são essenciais. Essa definição é incompleta, porque os requerimentos genéticos para a sobrevivência, e portanto o tamanho do genoma mínimo, dependem do ambiente no qual a célula cresce.”
“O trabalho descrito aqui foi conduzido em um meio que supre virtualmente todas as pequenas moléculas necessárias para a vida. Um genoma mínimo determinado sob tais condições permissivas deveria revelar um conjunto de funções independentes do ambiente que são necessárias para a vida. Sob condições menos permissivas, esperamos que genes adicionais sejam necessários.” Ou seja, a célula mínima não é tão mínima assim. Sem que os autores supram artificialmente todas as necessidades adicionais da célula, ela deveria precisar de mais genes para cuidar desse trabalho.

“Tais estudos identificam um núcleo de genes essenciais, muitas vezes de cerca de 250. Mas esse não é um conjunto de genes que é suficiente para constituir um genoma celular viável, uma vez que genes redundantes para funções essenciais são contados como não essenciais nesses estudos.” Aqui os autores chamam a atenção para uma proposta anterior de que um genoma essencial seria constituído de cerca de 250 genes. O resultado de sua pesquisa sugere que essa estimativa está errada. Um genoma essencial deveria possuir pelo menos 473 genes, e isso sob condições ideais de laboratório. As coisas se tornaram mais complicadas, não mais simples, para se estabelecer como a primeira forma de vida teria surgido espontaneamente.

[1]  C.A. Hutchison, R.-Y. Chuang, V.N. Noskov, N. Assad-Garcia, T.J. Deerinck, M.H. Ellisman, et al., Design and synthesis of a minimal bacterial genome, Science (80-. ). 351 (2016) aad6253–aad6253. doi:10.1126/science.aad6253.

As doenças faziam parte do plano de Deus?

Há pouco tempo encontrei um fórum de discussões que debatia a seguinte ideia: “Se Deus criou todas as coisas, Ele criou o câncer. (E outras doenças horrendas)”. Um dos participantes do fórum propôs a resposta: “Sim. Se Deus existisse, e tivesse criado todas as coisas, então ele teria criado todos os possíveis resultados. É tudo parte do plano divino de Deus, correto? AIDS, câncer, acidentes de carro, 11/9, homens bomba, Hiroshima e Nagasaki, estupradores, pedófilos e luta profissional. Esse é apenas um exemplo de porque eu não acredito nesse Deus sem sentido.” Expressões desse tipo são comuns quando ateus são provocados a defender sua posição.

C. S. Lewis sintetizou da seguinte forma o argumento da não-existência de Deus por causa do sofrimento: “Se Deus fosse bom, desejaria fazer suas criaturas perfeitamente felizes, e se ele fosse onipotente, seria capaz de fazer o que desejasse. No entanto, as criaturas não são felizes. Portanto, Deus não tem nem bondade nem poder.” [1]

Quando olhamos o mundo com as lentes do evolucionismo, as conclusões mais plausíveis a esse respeito são a não-existência de Deus ou a sua culpa pelo sofrimento humano. Francis Collins, famoso por coordenar o projeto Genoma, é cristão e defende a teoria da evolução. Quando tenta explicar a existência de todo o sofrimento que vemos, propõe a seguinte solução: “A ciência revela que o universo, nosso planeta e mesmo a vida estão comprometidos com um processo evolucionário. Entre os resultados disso, podemos incluir a imprevisibilidade do clima, o deslocamento das placas tectônicas ou a grafia incorreta de um gene cancerígeno no processo normal de divisão celular. Se, no início dos tempos, Deus optou por usar tais forças para criar os seres humanos, a inevitabilidade dessas outras consequências dolorosas também estava garantida.” [1] Em outras palavras, o câncer e outras doenças horrendas fariam parte do plano original, uma vez que sua manifestação seria inevitável.

Estudando o ótimo livro Conselhos sobre Saúde, [2] encontrei alguns conceitos que lançam bastante luz sobre o problema. Nas palavras de Ellen White: “O homem surgiu das mãos de seu Criador perfeito em estrutura e belo na forma. O fato de ter ele resistido por seis mil anos ao constante crescimento dos fardos da doença e do crime é prova cabal do poder de resistência com a qual foi dotado no princípio. E embora os antediluvianos de modo geral se entregassem sem reservas ao pecado, passaram-se mais de dois mil anos para que a violação da lei natural fosse acentuadamente sentida. Não tivesse Adão originalmente possuído maior poder físico do que os homens possuem agora, e a presente raça ter-se-ia tornado extinta.” [2]

“A violação da lei física, com as consequências de sofrimento e morte prematura, tem prevalecido por tanto tempo que esses resultados são tidos na conta de sorte inevitável da humanidade; mas Deus não criou a raça em tão debilitada condição. Esse estado de coisas não é obra da Providência, mas do homem. Ele foi ocasionado pelos maus hábitos - pela violação das leis que Deus fez para governar a vida do homem. A continuada transgressão das leis da Natureza é uma permanente transgressão da lei de Deus. Tivessem os homens sido sempre obedientes à lei dos Dez Mandamentos, procurando viver os princípios desses preceitos, a maldição das enfermidades que agora inundam o mundo não existiria.” [2]

“Nossos antepassados legaram-nos costumes e apetites que estão enchendo o mundo de doenças. Os pecados dos pais, através de desejos pervertidos, são, com poder assustador, visitados sobre os filhos até a terceira e quarta geração. A maneira incorreta de alimentar-se de muitas gerações, a glutonaria e os hábitos de condescendência própria das pessoas, estão enchendo as casas de misericórdia, as prisões e os hospícios.” [2]

“São esses males trazidos sobre a raça por determinação divina? Não; eles existem pelo fato de as pessoas agirem contrariamente às Suas determinações e ainda continuarem a menosprezar imprudentemente as Suas leis. Nas palavras do apóstolo, suplico àqueles que não estão cegados e paralisados pelos ensinos e práticas errôneos, àqueles que desejam prestar a Deus o melhor serviço de que sejam capazes: ‘Rogo-voes, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus’ (Rm 12:1).” [2]

Assim, a relação entre causa e efeito precisa ser compreendida antes de acusarmos Deus por nossas enfermidades (leia mais aqui e aqui). Imagine o que ocorreria se, ao invés de utilizar o óleo lubrificante recomendado pelo fabricante do seu carro, você utilizasse óleo de soja para cozinhar. Os resultados para o motor seriam devastadores. De quem seria a culpa disso, do fabricante ou sua? Pois bem, se Deus nos orientou sobre os alimentos corretos para o bom funcionamento do nosso organismo e nós ainda assim escolhemos usar aquilo que não é apropriado, de quem é a culpa pelo surgimento dos problemas que se seguem? De Deus (o fabricante) ou nossa (os usuários negligentes)? Sofrimento e morte jamais estiveram nos planos de Deus para a humanidade. Ele criou um mundo perfeito e vai recriá-lo perfeito novamente.

“Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram. Aquele que estava sentado no trono disse: Agora faço novas todas as coisas!” (Apocalipse 21:4,5, NTLH)


[1] F. S. Collins, A Linguagem de Deus, Editora Gente, São Paulo, 2007. Pg. 51, 53.
[2] E. G. White, Conselhos sobre Saúde (Edição Digital), Ellen G. White State, Inc., 2007. Pg. 19, 49.

Criacionista sugeriu a seleção natural antes de Darwin

Edward Blyth
Ao contrário do que muitos pensam, os criacionistas não rejeitam a ideia de seleção natural.[1,2] Todavia, discordam dos evolucionistas a respeito da extensão das modificações que esse processo é capaz de produzir. Normalmente, coloca-se um sinal de igualdade entre seleção natural e macroevolução; apela-se à primeira para justificar a última. Os exemplos clássicos de evidências a favor evolução que encontramos em livros-texto tratam de variações em pequena escala, ou seja, de microevolução (como mudanças de cor, tamanho, resistência a antibióticos etc). Como os próprios autores evolucionistas admitem, a macroevolucão só pode ser inferida a partir de extrapolação.[3]

Pois bem, não é novidade que Darwin não foi o primeiro a tratar da seleção natural. James Hutton escreveu sobre o mecanismo em 1794, William Wells em 1818 e Patrick Matthew em 1831.[4] Segundo alguns autores, até mesmo William Paley teria antecipado o conceito seleção natural, em 1803.[5] Darwin afirmava ter tomado conhecimento da contribuição desses autores somente após a publicação de A Origem das Espécies, em 1859.[4]

Em 1835, Edward Blyth publicou um artigo no Magazine of Natural History [6] no qual se pode encontrar o mecanismo de seleção natural de forma surpreendentemente clara. Existem evidências históricas de que Darwin era um leitor do Magazine of Natural History,[7] mas não se pode afirmar com certeza que ele tenha lido o trabalho de Blyth antes de elaborar sua teoria.

Embora o termo seleção natural não seja utilizado explicitamente no artigo de Blyth, a ideia está indubitavelmente presente:

“É uma lei geral da natureza para todas as criaturas a propagação de sua própria semelhança: e isso se estende às minúcias mais triviais, para as mais tênues peculiaridades individuais; e assim, entre nós mesmos, vemos a semelhança de uma família sendo transmitida de geração em geração. Quando dois animais acasalam, cada um possuindo uma certa característica em comum, não importando o quão trivial ela seja, existe também uma tendência decisiva na natureza para que aquela peculiaridade se intensifique; e se a prole desses animais for separada, e se somente aqueles nos quais a mesma peculiaridade é mais aparente forem selecionados para reprodução, a próxima geração irá possuí-la em um grau ainda mais notável; e assim por diante, até que a longo prazo a variedade que designei de raça seja formada, podendo ser muito diferente do tipo original”.[6]

“Em um grande rebanho de gado, o touro mais forte afasta de si os indivíduos mais novos e mais fracos de seu próprio sexo, e permanece como o único mestre do rebanho; de modo que todos os jovens que venham a ser produzidos tenham sua origem naquele indivíduo que possui máxima potência e força física; e que, consequentemente, na batalha pela existência, foi o mais capaz para manter seu território, e defender-se de cada inimigo. De maneira similar, entre os animais que procuram sua comida por meio de sua agilidade, força, ou delicadeza dos sentidos, aquele melhor organizado deve sempre obter a maior quantidade; e deve, portanto, tornar-se o mais forte fisicamente, e assim ser habilitado, pela derrota de seus oponentes, a transmitir suas qualidades superiores a um número maior de descendentes”. [6]

Contudo, Blyth não sustentava que a seleção natural seria capaz de proezas como converter um urso em uma baleia, como Darwin sugeriu na primeira edição de seu livro mais famoso.[8] Blyth via esse mecanismo como um recurso que tinha por fim conservar as qualidades típicas de uma espécie:

“A mesma lei, portanto, que foi designada pela Providência para manter as qualidades típicas de uma espécie, pode ser facilmente convertida pelo homem em um meio de criar diferentes variedades; mas também está claro que, se o homem não preservar essas raças pelo controle do intercurso sexual, elas irão naturalmente retornar ao tipo original”. [6]

Em outras palavras, o mecanismo é o mesmo que Darwin publicaria 24 anos mais tarde - que tem como resultado a propagação das qualidades dos indivíduos mais aptos a se reproduzir - mas o efeito final, segundo Blyth, seria o de reestabelecer as variedades de animais aos seus tipos originais e não criar novas espécies sem limite aparente para as modificações. Diga-se de passagem, não é essa a posição defendida pelos criacionistas de hoje. Mas o ponto em questão aqui é a prioridade de Blyth sobre Darwin quanto ao mecanismo de seleção natural.

Edward Blyth, ao contrário de Darwin, não tentou descrever uma natureza sem um Criador. Blyth, como tantos outros cientistas importantes (desde muito antes de seu tempo até os dias atuais), reconheceu a origem de tudo:

“Existe, de forma muito estranha, uma diferença de opinião entre naturalistas quanto a serem essas mudanças sazonais um desígnio da Providência como uma adaptação a mudanças de temperatura, ou um meio de preservar as várias espécies de seus inimigos, pela adaptação de sua matiz às cores da superfície; (...) O fato é que elas respondem a ambos os propósitos; e elas estão entre aqueles impressionantes exemplos de planejamento, que tão claramente e fortemente atestam a existência de uma grandiosa e onisciente Primeira Causa”. [6]

Blyth pode ter errado com sua ideia de conservação. Mas Darwin também errou em outros pontos e principalmente ao propor o que hoje chamamos de macroevolução. Em um ambiente no qual o materialismo ganhava cada vez mais força, Darwin se tornou um ícone mundial. Como o próprio Richard Dawkins admite, “só depois de Darwin é possível ser um ateu intelectualmente satisfeito”.[9]   Edward Blyth foi praticamente lançado no esquecimento. Mas Alguém certamente se lembrará de que ele deu ao Criador a glória que lhe era devida.

“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:32,33).


Referências:

[1]      G. Purdom, N.T. Jeanson, Understanding Natural Selection, Answers in Genesis, Https://answersingenesis.org/natural-Selection/understanding-Natural-Selection/. (2016).
[2]      P.G. Humber, Natural Selection - A Creationist’s Idea, Acts Facts. 26 (1997).
[3]      M. Riddley, Evolução, 3a. ed., Artmed, Porto Alegre, 2006.
[4]      P.N. Pearson, In retrospect: An Investigation of the Principles of Knowledge and of the Progress of Reason, from Sense to Science and Philosophy, Nature. 425 (2003) 665–665. doi:10.1038/425665a.
[5]      W.L. Abler, What Darwin knew, Nature. 426 (2003) 759–759. doi:10.1038/426759b.
[6]      E. Blyth, An Attempt to Classify the “Varieties” of Animals, with Observations on the Marked Seasonal and Other Changes Which Naturally Take Place in Various British Species, and Which Do Not Constitute Varieties, Mag. Nat. Hist. 8 (1835) 40–53.
[7]      J.E. Schwartz, Charles Darwin’s Debt to Malthus and Edward Blyth, J. Hist. Biol. 7 (1974) 301–318.
[8]      C.R. Darwin, On The Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Strugg;e for Life, Facsímile , Harvard University Press, Cambridge, 1859.
[9]      R. Dawkins, O Relojoeiro Cego, Companhia das Letras, São Paulo, 2001.