domingo, 29 de janeiro de 2017

Análises de DNA mostram que mamutes de espécies diferentes eram capazes de gerar descendentes férteis

Uma espécie pode ser definida como um grupo de animais similares que podem se reproduzir com sucesso e gerar descendentes férteis. Usando diferenças no tamanho e na forma de seus dentes fossilizados, um grande número de espécies de mamutes norte-americanos têm sido identificadas. Mas alguns cientistas não estão confiantes de que esse método de categorização de espécies revele toda a história.

"As fronteiras entre as espécies podem ser bem desfocadas. Podemos encontrar diferenças nas características do dente ou do esqueleto que correspondam muito bem ao que imaginamos ser verdadeiras fronteiras entre espécies. Mas outras características podem não corresponder a essas fronteiras, sugerindo que aquilo que havíamos inicialmente considerado como espécies separadas não o são de fato", explica Hendrik Poinar, um professor da Universidade de McMaster, no Canadá, que co-liderou o novo estudo juntamente com um antigo estudante de graduação seu, Jake Enk, e o colaborador Ross MacPhee, um professor no Museu Americano de História Natural.

O professor Poinar e seus co-autores usaram métodos de ponta para distinguir espécies de mamutes norte-americanos. Pequenas amostras de ossos de mamutes fossilizados, dentes e fezes foram doados generosamente por um grande número de museus através da América e do Canadá. O DNA foi extraído dessas amostras em um laboratório especializado do centro Ancient DNA, na Universidade de McMaster, e usado para criar uma árvore genealógica de sua evolução. Os resultados mostraram-se bastante interessantes.

Historicamente imaginava-se que os mamutes norte-americanos, tais como os mamutes-columbianos e os mamutes-lanosos, originaram-se de duas espécies primitivas separadas. Contudo, esta última análise de DNA harmoniza-se com uma ideia mais recente de que todos os mamutes norte-americanos originaram-se de uma única espécie primitiva, o mamute-da-estepe.

"Indivíduos dos mamutes-lanosos e columbianos parecem representar diferentes espécies em termos de seus dentes molares, mas sua genética diz que eles não estiveram completamente separados no sentido evolucionário e podiam entrecruzar com sucesso," diz o professor MacPhee.

O professor Poinar continua, "os mamutes eram muito melhor em se adaptar a novos habitats do que havíamos imaginado a princípio — suspeitamos que subgrupos de mamutes evoluíram para lidar com as condições locais, mas mantiveram a continuidade genética pelo encontro e potencial entrecruzamento de uns com os outros onde os seus dois habitas se sobrepunham, tais como nos limites das geleiras e mantos de gelo."

Assim, enquanto os mamutes claramente evoluíram diferenças em sua aparência física para lidar com os diferentes ambientes, isso não os proibiu de procriação cruzada e de produzir descendências saudáveis.

A despeito dessa aparente adaptabilidade, que deveria certamente ser uma receita para o sucesso, os mamutes desapareceram da face da Terra 10.000 anos atrás. "Suspeita-se que os humanos tenham sido a causa, mas isso não está de forma alguma provado. A explicação do desaparecimento dos mamutes e uma imensidão de outras criaturas da Era do Gelo continua a ser um enigma fascinante em peleobiologia," conclui o professor MacPhee.

Além de desafiar o método clássico para definir uma espécie, os autores acreditam que as descobertas desse estudo são apenas o começo da compreensão da história evolucionária dos mamutes. Técnicas para extrair e analisar DNA antigo têm experimentado um melhoramento tremendo nos anos recentes e, à medida em que essas tecnologias continuam a melhorar, podemos esperar novos avanços.

(Traduzido por Rodrigo M. Pontes de: DNA proves mammoths mated beyond species boundaries, ScienceDaily)

Nota. Carl Werner, em seu livro Living Fossils, apresenta uma quantidade enorme de fósseis da época dos dinossauros que são impressionantemente similares às espécies modernas. No entanto, esses animais e plantas recebem nomes de espécies e até de gêneros diferentes. Será que se tivéssemos acesso ao DNA desses indivíduos, assim como no caso dos mamutes, realmente faria sentido classificá-los como espécies diferentes?

Por outro lado, se é geneticamente possível que uma única espécie de mamute tenha dado origem a todas as espécies desses animais na América do Norte, seria realmente um absurdo imaginar que a preservação de tipos básicos de animais bem selecionados poderia ter sido suficiente, através de adaptações, para povoar toda a terra com as espécies que conhecemos hoje?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.