sábado, 28 de janeiro de 2017

As doenças faziam parte do plano de Deus?

Há pouco tempo encontrei um fórum de discussões que debatia a seguinte ideia: “Se Deus criou todas as coisas, Ele criou o câncer. (E outras doenças horrendas)”. Um dos participantes do fórum propôs a resposta: “Sim. Se Deus existisse, e tivesse criado todas as coisas, então ele teria criado todos os possíveis resultados. É tudo parte do plano divino de Deus, correto? AIDS, câncer, acidentes de carro, 11/9, homens bomba, Hiroshima e Nagasaki, estupradores, pedófilos e luta profissional. Esse é apenas um exemplo de porque eu não acredito nesse Deus sem sentido.” Expressões desse tipo são comuns quando ateus são provocados a defender sua posição.

C. S. Lewis sintetizou da seguinte forma o argumento da não-existência de Deus por causa do sofrimento: “Se Deus fosse bom, desejaria fazer suas criaturas perfeitamente felizes, e se ele fosse onipotente, seria capaz de fazer o que desejasse. No entanto, as criaturas não são felizes. Portanto, Deus não tem nem bondade nem poder.” [1]

Quando olhamos o mundo com as lentes do evolucionismo, as conclusões mais plausíveis a esse respeito são a não-existência de Deus ou a sua culpa pelo sofrimento humano. Francis Collins, famoso por coordenar o projeto Genoma, é cristão e defende a teoria da evolução. Quando tenta explicar a existência de todo o sofrimento que vemos, propõe a seguinte solução: “A ciência revela que o universo, nosso planeta e mesmo a vida estão comprometidos com um processo evolucionário. Entre os resultados disso, podemos incluir a imprevisibilidade do clima, o deslocamento das placas tectônicas ou a grafia incorreta de um gene cancerígeno no processo normal de divisão celular. Se, no início dos tempos, Deus optou por usar tais forças para criar os seres humanos, a inevitabilidade dessas outras consequências dolorosas também estava garantida.” [1] Em outras palavras, o câncer e outras doenças horrendas fariam parte do plano original, uma vez que sua manifestação seria inevitável.

Estudando o ótimo livro Conselhos sobre Saúde, [2] encontrei alguns conceitos que lançam bastante luz sobre o problema. Nas palavras de Ellen White: “O homem surgiu das mãos de seu Criador perfeito em estrutura e belo na forma. O fato de ter ele resistido por seis mil anos ao constante crescimento dos fardos da doença e do crime é prova cabal do poder de resistência com a qual foi dotado no princípio. E embora os antediluvianos de modo geral se entregassem sem reservas ao pecado, passaram-se mais de dois mil anos para que a violação da lei natural fosse acentuadamente sentida. Não tivesse Adão originalmente possuído maior poder físico do que os homens possuem agora, e a presente raça ter-se-ia tornado extinta.” [2]

“A violação da lei física, com as consequências de sofrimento e morte prematura, tem prevalecido por tanto tempo que esses resultados são tidos na conta de sorte inevitável da humanidade; mas Deus não criou a raça em tão debilitada condição. Esse estado de coisas não é obra da Providência, mas do homem. Ele foi ocasionado pelos maus hábitos - pela violação das leis que Deus fez para governar a vida do homem. A continuada transgressão das leis da Natureza é uma permanente transgressão da lei de Deus. Tivessem os homens sido sempre obedientes à lei dos Dez Mandamentos, procurando viver os princípios desses preceitos, a maldição das enfermidades que agora inundam o mundo não existiria.” [2]

“Nossos antepassados legaram-nos costumes e apetites que estão enchendo o mundo de doenças. Os pecados dos pais, através de desejos pervertidos, são, com poder assustador, visitados sobre os filhos até a terceira e quarta geração. A maneira incorreta de alimentar-se de muitas gerações, a glutonaria e os hábitos de condescendência própria das pessoas, estão enchendo as casas de misericórdia, as prisões e os hospícios.” [2]

“São esses males trazidos sobre a raça por determinação divina? Não; eles existem pelo fato de as pessoas agirem contrariamente às Suas determinações e ainda continuarem a menosprezar imprudentemente as Suas leis. Nas palavras do apóstolo, suplico àqueles que não estão cegados e paralisados pelos ensinos e práticas errôneos, àqueles que desejam prestar a Deus o melhor serviço de que sejam capazes: ‘Rogo-voes, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus’ (Rm 12:1).” [2]

Assim, a relação entre causa e efeito precisa ser compreendida antes de acusarmos Deus por nossas enfermidades (leia mais aqui e aqui). Imagine o que ocorreria se, ao invés de utilizar o óleo lubrificante recomendado pelo fabricante do seu carro, você utilizasse óleo de soja para cozinhar. Os resultados para o motor seriam devastadores. De quem seria a culpa disso, do fabricante ou sua? Pois bem, se Deus nos orientou sobre os alimentos corretos para o bom funcionamento do nosso organismo e nós ainda assim escolhemos usar aquilo que não é apropriado, de quem é a culpa pelo surgimento dos problemas que se seguem? De Deus (o fabricante) ou nossa (os usuários negligentes)? Sofrimento e morte jamais estiveram nos planos de Deus para a humanidade. Ele criou um mundo perfeito e vai recriá-lo perfeito novamente.

“Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram. Aquele que estava sentado no trono disse: Agora faço novas todas as coisas!” (Apocalipse 21:4,5, NTLH)


[1] F. S. Collins, A Linguagem de Deus, Editora Gente, São Paulo, 2007. Pg. 51, 53.
[2] E. G. White, Conselhos sobre Saúde (Edição Digital), Ellen G. White State, Inc., 2007. Pg. 19, 49.

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