sábado, 28 de janeiro de 2017

Datação de madeira fossilizada

 Como discutimos em um artigo prévio, existem evidências bastante sólidas que sustentam intervalos de tempo de anos ou décadas para o processo de fossilização de madeira. [1–5] Se estamos tentando traçar a história da vida em nosso planeta, a pergunta natural a se fazer agora diz respeito à época em que os fósseis de madeira encontrados no registro geológico foram soterrados. Sob uma visão uniformista evolucionista, a posição desses fósseis na coluna geológica aponta para idades da ordem de dezenas de milhões de anos. Sob uma visão criacionista, grande parte da madeira petrificada deve ter sido produzida na época do dilúvio, ocorrido há poucos milhares de anos. Embora as bases filosóficas e teológicas de cada uma dessas visões não possam ser testadas diretamente, as propostas formuladas a partir das mesmas podem ser confrontadas com dados existentes e servir como base para novas investigações.

Uma das maneiras de se fazer isso é pelo uso de datação radiométrica, mais especificamente, datação por carbono-14. Carbono-14 é um isótopo radioativo do carbono-12, a forma mais comum do elemento. O carbono-14 possui uma meia-vida de 5730 anos. Isso quer dizer que a cada 5730 anos, metade dos núcleos de carbono-14 de uma amostra convertem-se em um núcleo mais estável (nitrogênio-14, neste caso). Após aproximadamente dez meia-vidas, ou 57.300 anos, a quantidade de carbono-14 restante em qualquer material é tão pequena que não pode ser detectada de forma segura pelos equipamentos modernos. Por isso, diz-se que a técnica de carbono-14 aplica-se a objetos que tenham no máximo cerca 50.000 anos.

Se houver resíduo de matéria orgânica na madeira petrificada, é possível submetê-la a análises de carbono-14. De acordo com a proposta evolucionista, não se deveria encontrar carbono-14 detectável nessas amostras, uma vez que elas possuiriam idades de dezenas de milhões de anos. Evidentemente, pode haver contaminação, mas laboratórios reconhecidos internacionalmente têm desenvolvido procedimentos bastante rigorosos para lidar com esse problema. Por outro lado, segundo a proposta criacionista, deveria existir carbono-14 detectável (acima dos limites de erro da técnica) nessas amostras. Qual das previsões está correta?

O geólogo australiano Andrew Snelling [6] encontrou madeira fossilizada no interior de calcário nas pedreiras Hornton, que fazem parte da formação conhecida por Marlstone Rock Bed (localizada no sul da Inglaterra). Fósseis de amonita (Dactylioceras tenuicostatum) foram encontrados no mesmo nível dos pedaços de madeira. Esses fósseis compõem os chamados fósseis índice, que são usados para estimar a idade das rochas das quais fazem parte. A presença da amonita Dactylioceras tenuicostatum permitiu que se chegasse à idade de 189 milhões de anos. Essa deveria ser, portanto, a idade da madeira fossilizada.

Snelling coletou três amostras da madeira fossilizada nesse local. Pedaços das três amostras foram enviadas para análises de carbono-14 no Geochron Laboratories in Cambridge, Boston (USA), e um pedaço da primeira amostra foi também enviado para o Antares Mass Spectrometry Laboratory na Australian Nuclear Science and Technology Organisation (ANSTO), Austrália, para uma checagem cruzada. Ambos os laboratórios são reconhecidos internacionalmente e gozam de ótima reputação, sendo o primeiro um laboratório comercial e o segundo um laboratório de pesquisa. As equipes desses laboratórios não foram informadas sobre a origem das amostras, para evitar qualquer resultado tendencioso. Os resultados dessas análises estão listados na Tabela 1.

Tabela 1. Análises de carbono-14 para amostras de madeira fossilizada encontradas na camada de calcário das pedreiras Hornton, estimada em 189 milhões de anos [6]



Os resultados na casa dos 20 mil anos são gritantemente diferentes dos 189 milhões de anos propostos para a camada de calcário. Justamente por essa razão, um pesquisador evolucionista nunca submeteria essas amostras a análises com carbono-14. Objetos com idades superiores a 50.000 anos apresentam conteúdo de carbono-14 não detectável para os equipamentos modernos. De fato, alguns especialistas contestam até mesmo idades de cerca de 40.000. Nas amostras do Dr. Snelling, o conteúdo de carbono-14 encontrava-se entre 2,5% a 7,5% do valor encontrado hoje nas plantas, o que está bem acima do que seria considerado um valor contestável (cerca de 0,2%). [6] A hipótese de que houve algum tipo de contaminação também pode ser descartada, uma vez que laboratórios independentes, com analistas treinados em procedimentos de descontaminação, chegaram a resultados similares.

As idades na casa dos 20 mil anos não são inconsistentes com a idade estimada para o dilúvio (cerca de 4.500 anos). O campo magnético da Terra vem gradualmente decrescendo. Na época do dilúvio ele seria bem mais forte e, consequentemente, a porcentagem de carbono-14 na atmosfera seria menor (o campo magnético funciona como uma barreira para os raios cósmicos responsáveis pela produção de carbono-14 atmosférico). O menor teor inicial de carbono-14 para a madeira que cresceu antes do dilúvio naturalmente forneceria idades mais antigas do que as idades verdadeiras. [6]
   
Como dito antes, existem evidências publicadas de que a fossilização pode ocorrer rapidamente em condições naturais.[1–5]  Do ponto de vista químico, e considerando o mecanismo de fossilização das plantas, não há qualquer motivo para imaginar que esse processo precise de muitos milhares ou milhões de anos para se completar. Os resultados de análise de carbono-14 em amostras de madeira fóssil estimadas em 189 milhões de anos revelam idades bem menores, de alguns milhares de anos.

Se vivêssemos em um ambiente científico realmente aberto, haveria espaço para que o trabalho de Snelling [6] fosse publicado em uma revista secular especializada. Todavia, nenhum editor que preze por seu emprego consideraria um trabalho que contestasse o tabu do tempo geológico. Para se ter uma ideia de como as coisas funcionam, basta olhar para um caso parecido, o da datação de tecidos moles em fósseis de dinossauros. Pesquisadores criacionistas enviaram amostras desses tecidos para um conceituado laboratório, que lhes atribuiu idades na casa de alguns milhares de anos (exatamente como no caso da madeira). Esse trabalho foi aceito para apresentação em um congresso científico em 2012 (o Western Pacifc Geophysics Meeting in Singapore, organizado pela American Geophysical Union e a Asia Oceania Geosciences Society) e publicado juntamente com os resumos do evento. Após tomar conhecimento de que os autores do trabalho estavam utilizando aquele resumo para defender suas ideias (a de que os dinossauros viveram há milhares e não há milhões de anos), os organizadores do congresso removeram o trabalho da lista de resumos e justificaram sua decisão aos autores dizendo: “existe obviamente um erro nesses dados. Aparentemente, o resumo não foi propriamente revisado e foi aceito erroneamente”. (Leia a história completa aqui). Sem investigar qualquer detalhe do trabalho, os organizadores simplesmente procuraram salvar sua reputação e a interpretação convencional. Para eles, era óbvio que o material possuía milhões de anos. Então, se algum dado dissesse o contrário, esse dado deveria estar errado. Isso não é ciência! É uma atitude covarde. Quando criacionistas e evolucionistas se encontram em debates acadêmicos, os evolucionistas podem assim usar o argumento: “vocês não têm trabalhos publicados”. Na verdade, temos. E poderíamos ter muito mais se nossos colegas evolucionistas não tivessem tanto receio de ter suas teorias contestadas.

No livro do profeta Isaías, encontramos um convite de nosso Criador: “vinde e arrazoemos” (Isaías 1:18). Esse é o espírito criacionista e é esse o convite que fazemos aos colegas evolucionistas: “vinde e arrazoemos”.

Referências:
[1] H. Akahane, T. Furuno, Recent silicified woods in the Tateyama Hot Spring (Shin-yu), Toyama Prefecture., J. Geol. Soc. Japan. 99 (1993) 457–466. doi:10.5575/geosoc.99.457.
[2] H. Akahane, T. Furuno, H. Miyajima, T. Yoshikawa, S. Yamamoto, Rapid wood silicification in hot spring water: an explanation of silicification of wood during the Earth’s history, Sediment. Geol. 169 (2004) 219–228. doi:10.1016/j.sedgeo.2004.06.003.
[3] J. Hellawell, C. Ballhaus, C.T. Gee, G.E. Mustoe, T.J. Nagel, R. Wirth, et al., Incipient silicification of recent conifer wood at a Yellowstone hot spring, Geochim. Cosmochim. Acta. 149 (2015) 79–87. doi:10.1016/j.gca.2014.10.018.
[4] R.F. Leo, E.S. Barghoorn, Silicification of wood, Harvard Univ. Bot. Mus. Leafl. 25 (1976) 1–47. http://www.biodiversitylibrary.org/item/31874 (accessed February 12, 2016).
[5] A.L. Karowe, T.H. Jefferson, Burial of trees by eruptions of Mount St Helens, Washington:implications for the interpretation of fossil forests, Geol. Mag. 124 (2009) 191. doi:10.1017/S001675680001623X.
[6] A. Snelling, Geological Coflict: Young Radiocarbon Date for Ancient Fossil Wood Challenges Fossil Dating, Creation. 22 (2000) 44–47.

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