domingo, 29 de janeiro de 2017

Proteínas com 18 milhões de anos?

Um grupo de pesquisadores do Carnegie Institution for Science apresentou no último ano uma descoberta bastante intrigante. John Nance, John Armstrong, George Cody, Marilyn Fogel e Robert Hazen coletaram amostras de conchas fossilizadas de um molusco similar a um caracol chamado Ecphora, que viveu no Mioceno médio entre 8 e 18 milhões de anos atrás.

As conchas são formadas por compostos cristalinos de carbonato de cálcio intercalados com uma matriz orgânica de proteínas e açúcares. Essas proteínas ajudam a manter os componentes da concha unidos. As conchas também contêm pigmentos (compostos orgânicos, assim como as proteínas), que no caso da Ecphora são responsáveis por uma coloração marrom avermelhada bastante característica.

O que chamou a atenção dos pesquisadores foi justamente o fato das conchas de Ecphora possuírem essa coloração, ao contrário do que ocorre para a grande maioria dos restos de moluscos, que acabam se transformando em uma forma de giz branco. Se esses pigmentos orgânicos foram preservados, não seria o caso de as proteínas que compõem a concha também terem resistido ao tempo?

Pensando nessa possibilidade, os pesquisadores trataram as amostras de concha com ácido diluído (que dissolve o carbonato de cálcio). O resultado foi surpreendente. Folhas de proteínas de mais de um centímetro revelaram-se intactas. Mas não é só isso, as proteínas da Ecphora, de supostos milhões de anos de idade, mostraram-se semelhantes às proteínas das conchas dos moluscos modernos em sua composição química.

Compostos orgânicos, como as proteínas, se degradam com muita facilidade. Ainda que essas proteínas estivessem de certa forma protegidas pelo carbonato de cálcio, é difícil imaginá-las intactas por até 18 milhões de anos.

Pois bem, a partir disso poderíamos fazer uma previsão científica criacionista: essas proteínas contêm carbono-14 detectável. Uma datação por carbono-14 mostrará que o molusco morreu há poucos milhares de anos e não há milhões de anos. Mas os pesquisadores que descobriram esse material jamais submeterão suas amostras a esse tipo de análise porque, obviamente, esse fóssil possui milhões de anos (na visão deles). Mais do que isso, ele precisa possuir milhões de anos, porque do contrário o castelo de cartas evolucionista desmorona.

 Tecidos moles encontrados em fósseis de dinossauros foram enviados para laboratórios de datação bem conceituados e as análises revelaram carbono-14 detectável (livre de contaminação) e idades de milhares de anos (não de milhões de anos) (confira aqui e aqui). Mas você não vai ver esses resultado publicados na Nature ou na Science, porque (como disse o editor que excluiu o resumo desse trabalho dos anais de um congresso) eles estão obviamente errados. Será mesmo?


Referências:

Nance, J.R., Armstrong, J.T, Cody, G.D., Fogel, M.L., Hazen, R.M. (2015) Preserved macroscopic polymeric sheets of shell-binding protein in the Middle Miocene (8 to 18 Ma) gastropod Ecphora. Geochem. Persp. Let. 1, 1-9.

Carnegie Institution for Science ,15 million-year-old mollusk protein found. <https://carnegiescience.edu/news/15-million-year-old-mollusk-protein-found>

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