sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Lipídios preservados em fóssil de "48 milhões de anos"

Fóssil de um pássaro com idade
estimada em 48 milhões de anos.
O destaque mostra a glândula
uropigial.
Crédito: Sven Traenkner/Senckenberg
Os pássaros gastam um bom tempo alisando sua plumagem com o bico. Durante esse processo, a glândula uropigial, localizada próximo à região da cauda, desempenha um papel importante. Essa glândula produz uma secreção oleosa que os pássaros espalham sobre sua plumagem para impermeabilizá-la.

Pesquisadores identificaram resíduos desse tipo de material óleoso em um fóssil datado em 48 milhões de anos. "A descoberta é um dos exemplos mais surpreendentes de preservação de partes moles em animais. É extremamente raro que alguma coisa assim seja preservada por um período de tempo tão longo", disse Gerald Mayr, um dos autores do trabalho.

"Como mostram nossas análises químicas detalhadas, os lipídios mantiveram sua composição química original, ao menos em parte, ao longo de 48 milhões de anos. Os compostos com cadeias hidrocarbônicas longas dos restos fóssilizados da glândula uropigial podem ser claramente diferenciados do xisto betuminoso ao redor do fóssil, " explica Mayr.

É interessante notar como a preservação de compostos orgânicos em fósseis de supostos milhões de anos tem surpreendido um bom número de pesquisadores (veja aqui, aqui e aqui). Quanto mais se escava, mais exemplos desse tipo aparecem. Há duas alternativas aqui. A primeira é que esse material realmente foi preservado ao longo de 48 milhões de anos (se você acha isso fácil, dê uma olhada nos prazos de validade de alguns produtos de mercado). A segunda é que o material não possui 48 milhões de anos. Me pergunto por que essa última possibilidade não seja sequer cogitada.

Rodrigo M. Pontes

Referências:

1. Shane O'Reilly, Roger Summons, Gerald Mayr, Jakob Vinther. Preservation of uropygial gland lipids in a 48-million-year-old bird. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 2017; 284 (1865): 20171050 DOI: 10.1098/rspb.2017.1050.

2. ANCIENT PREEN OIL: RESEARCHERS DISCOVER 48-MILLION-YEAR-OLD LIPIDS IN A FOSSIL BIRD.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Proteínas e pigmentos de uma tartaruga de "54 milhões de anos" são semelhantes aos das tartarugas modernas

Crédito: Johan Lindgren
A Tasbacka danica é uma espécie de tartaruga marinha que viveu durante o período Eoceno, entre 56 e 34 milhões de anos atrás. Em 2008, um espécime extremamente preservado, de 74 milímetros, foi descoberto na Dinamarca. Em 2013, o palentologista Johan Lindgren, da Universidade de Lund, descobriu resíduos de tecidos moles em uma área localizada próxima ao "ombro" esquerdo da tartaruga. Ele coletou cinco pequenas amostras para análise biomolecular.

Os cascos das tartarugas marinhas modernas são escuros, o que serve de proteção contra predadores aéreos quando as tartarugas se dirigem para a superfície do oceano para respirar. A coloração escura também as ajuda a absorver calor da luz solar e regular sua temperatura corporal, uma vez que são criaturas de sangue frio.

Lindgren submeteu suas amostras a uma série de análises químicas que lhe permitiram confirmar a presença de grupos heme (que fazem parte da hemoglobina do sangue), eumelanina (pigmento responsável pela coloração) e fragmentos de proteínas.

A co-autora Mary Schweitzer realizou análises histoquímicas e encontrou beta-queratina (que compõe cascos, unhas e pele), hemoglobina e tropomiosina (uma proteína muscular). Esses achados foram confirmados pelo biólogo Takeo Kuriyama, da Universidade de Hyogo, no Japão.

Toda a evidência indica que essas moléculas são originais do proprio espécime, o que mostra que essas antigas tartarugas compartilhavam uma característica de pigmentação que as ajudava na sobreviência semelhante à das tartarugas modernas.

"Os dados não apenas apoiam a presenvação de múltiplas proteínas, mas também sugerem que a coloração era usada para a fisiologia já no Eoceno, da mesma maneira que é hoje", disse Schweitzer.

Algumas coisas são notáveis aqui. Em primeiro lugar, a tartaruga com os supostos 54 milhões de anos já era tão tartaruga quanto as modernas (foto). Em segundo lugar, as análises mostraram, como os próprios autores ressaltam, que a pigmentação das tartarugas antigas era semelhanta à das tartaguras que vivem hoje. Ou seja, as antigas e as modernas não são apenas morfologicamente parecidas, mas quimicamente também. Por fim, a própria preservação de moléculas orgânicas tão frágeis pelos alegados 54 milhões de anos lança sérios questionamentos sobre a veracidade dessa idade.

Seria muito interessante submeter essas amostras a análises de C-14, mas isso nem passa pela cabeça de um pesquisador que "sabe" que o fóssil tem 54 milhões de anos. Criacionistas já mostraram em diversas ocasiões, baseando-se em análises de laboratórios de datação internacionalmente reconhecidos, que fósseis de dinossauros com dezenas de milhões de anos podem apresentar quantidades significativas de C-14. Quando se tenta publicar esses dados nos meios de divulgação seculares, eles são rejeitados sob a alegação de que por contradizerem a cronologia amplamente aceita (e crucial para o evolucionismo) devem, certamente, estar errados (embora ninguém aponte onde está o erro). Como seria maravilhosa uma ciência sem censura!

Rodrigo M. Pontes


Referências:

1. Johan Lindgren, Takeo Kuriyama, Henrik Madsen, Peter Sjövall, Wenxia Zheng, Per Uvdal, Anders Engdahl, Alison E. Moyer, Johan A. Gren, Naoki Kamezaki, Shintaro Ueno, Mary H. Schweitzer. Biochemistry and adaptive colouration of an exceptionally preserved juvenile fossil sea turtle. Scientific Reports, 2017; 7 (1) DOI: 10.1038/s41598-017-13187-5

2. Keratin, Pigment, Proteins from 54 Million-Year-Old Sea Turtle Show Survival Trait Evolution.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Estudo explica a diversidade de cores de pele dos humanos

Um estudo com diversos grupos africanos, liderado por geneticistas da Universidade da Pensilvânia, identificou novas variantes genéticas associadas com a pigmentação da pele. O estudo ajuda e explicar a ampla faixa de cores de pele no continente africano. Quando se pensa nesse continente, a maioria das pessoas lembra-se apenas da pele escura, mas ao longo de toda a África há uma grande variedade de tons de pele, que podem tão claras quanto às dos asiáticos ou muitíssimo escuras, e com todos os tons possíveis entre esses dois extremos.

Os pesquisadores obtiveram informação genética de cerca de 1.600 pessoas, examinando mais de 4 milhões de polimorfismos de nucleotídeos ao longo do genoma, lugares onde o código de DNA pode diferir por apenas uma "letra".

Uma das principais variações foi observada ao redor do gene MFSD12. O MFSD12 é altamente expresso nos melanócitos, as células que produzem melanina. Para verificar o papel do gene na pigmentação da pele, os pesquisadores bloquearam sua expressão em culturas de células e observaram um aumento na produção de eumelanina, o pigmento responsável pela pigmentação das peles negra e parda, e bem assim para cabelos e olhos. Em ratos, desligando-se esse gene observa-se uma mudança na cor de sua pelagem de marrom, causada por pelos com pigmentos vermelhos e amarelos, para um cinza uniforme pela eliminação da feomelanina, um tipo de pigmento também encontrado em humanos.

"Não sabemos exatamento porque, mas o bloqueio desse gene causa uma diminuição na produção de feomelanina e um aumento na produção de eumelanina", disse Sarah Tishkoff, uma das autoras do trabalho. "Também mostramos que os africanos possuem um baixo nível de expressão de MFSD12, o que faz sentido, pois baixos níveis do gene significam maior produção de eumelanina."

A questão toda é controlar a expressão de um gene para tornar a pele mais clara ou mais escura. Em outras palavras, trabalha-se com informação e estrutura que o organismo já possui. É como ajustar e relação entre os pixels de uma tela de computador para mudar a cor percebida naquela região.

Esse é um dos tipos de variação comumente comentada no meio criacionista. Temos um pacote completo, pronto, e podemos fazer ajustes nesse equipamento ligando ou desligando determinadas funções, ou mesmo ajustando seu nível de contribuição para determinada característica. A informação e a estrutura já existem, e precisam apenas ser trabalhadas conforme a necessidade. Algo parecido com o caso do rato veadeiro, já explicado aqui. Não se nega a seleção natural, apenas se limita o que ela é capaz de fazer (como selecionar características que podem ser ativadas ou desativadas). Já a criação de sistemas bioquímicos complexos, como a cascata de coagulação ou o flagelo bacteriano, por seleção natural, é algo que ainda precisa ser demonstrado. Olhando para esses fatos, podemos nos perguntar quem realmente apela ao que não pode ser demonstrado (quando falamos de ciência), criacionistas ou evolucionistas?

Referências

1. Nicholas G. Crawford, Derek E. Kelly, Matthew E. B. Hansen, Marcia H. Beltrame, Shaohua Fan, Shanna L. Bowman, Ethan Jewett, Alessia Ranciaro, Simon Thompson, Yancy Lo, Susanne P. Pfeifer, Jeffrey D. Jensen, Michael C. Campbell, William Beggs, Farhad Hormozdiari, Sununguko Wata Mpoloka, Gaonyadiwe George Mokone, Thomas Nyambo, Dawit Wolde Meskel, Gurja Belay, Jake Haut, Nisc Comparative Sequencing Program, Harriet Rothschild, Leonard Zon, Yi Zhou, Michael A. Kovacs, Mai Xu, Tongwu Zhang, Kevin Bishop, Jason Sinclair, Cecilia Rivas, Eugene Elliot, Jiyeon Choi, Shengchao A. Li, Belynda Hicks, Shawn Burgess, Christian Abnet, Dawn E. Watkins-Chow, Elena Oceana, Yun S. Song, Eleazar Eskin, Kevin M. Brown, Michael S. Marks, Stacie K. Loftus, William J. Pavan, Meredith Yeager, Stephen Chanock, Sarah Tishkoff. Loci associated with skin pigmentation identified in African populations. Science, 2017

2. University of Pennsylvania. "Genes responsible for diversity of human skin colors identified." ScienceDaily. ScienceDaily, 12 October 2017. <www.sciencedaily.com/releases/2017/10/171012143324.htm>


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Nova descoberta sobre o fantástico sistema de navegação das abelhas

As abelhas usam sua visão para navegar, mas até agora, pouco se sabia sobre o que acontece dentro de seus cérebros (menores do que um grão de arroz) à medida em que realizam essa tarefa. Pesquisadores da Universidade de Edimburgo descobriram neurônios que detectam velocidade e direção.[1,2] Trata-se de uma rede intricada mais avançada do que os sistemas de navegação baseados em GPS que possuímos.

Esses neurônios estão localizados em uma parte do cérebro chamada de complexo central, que os cientistas descobriam desempanhar um papel fundamental no controle do sistema de navegação. Essas células são usadas para detectar e guardar informações de todos os elementos do caminho percorrido pela abelha, criando uma memória que lhe permite voar para casa pela rota mais direta.

Para obter esses dados, eles monitoraram a função nervosa conectando finos eletrodos à cabeça das abelhas ao mesmo tempo em que elas assistiam a simulações de realidade virtual do que elas veriam se estivessem voando em linha reta ou em movimento circular. Seus resultados - juntamente com estudos de microscopia eletrônica de como as células nervosas estão conectadas - foram usados para desenvolver um modelo computacional detalhado dos cérebros das abelhas, que foi testado em uma abelha simulada por computador e em um robô.

"A parte mais excitante desta pesquisa foi quando a modelagem molecular do 'espaguete'de conexões entre as células nervosas revelaram o princípio elegante pelo qual as abelhas controlam sua posição e retornam para casa. Entender um comportamento tão complexo ao nível de um único neurônio é um passo importante para a ciência da função cerebral", declarou Barbara Webb, Professora da Escola de Informática da Universidade de Edimburgo.

É fascinante como, vez após outra, descobrimos que os sistemas naturais superam, com sobras, nossos melhores esforços. As abelhas existem há milhares de anos e já utilizavam seu sistema de navegação muito antes que o ser humano imaginasse algo como o GPS. Pense com cuidado sobre o que temos aqui. Um conjunto de sensores extremamente sofisticados que detectam, com precisão, variações de velocidade e direção sem ter que fazer triangulações ou usar qualquer dado externo (além dos que a própria abelha capta). Esses dados são então tratados por um software extremanente avançado, que armazena e gera dados que são acessados quando a abelha precisa regressar. Então, sem recorrer a satélites, a abelha traça uma linha reta rumo à sua casa e se dirige para lá com presicão.

Segundo os pesquisadores, essa descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos algoritmos de navegação em robôs autônomos que dispensem GPS ou sistemas computacionais caros.

Por essas e outras é que Richard Dawkins declarou:

"A biologia é o estudo das coisas complexas que dão a impressão de ter um design intencional." [2]

A "impressão" de um design intencional na natureza é gritante, e até mesmo o ateu mais famoso do mundo reconhece isso.


Rodrigo M. Pontes


Referências

1. Brain study reveals how insects make beeline for home

2. Stanley Heinze et al. An Anatomically Constrained Model for Path Integration in the Bee Brain. Current Biology, Outubro de 2017.

3. Richard Dawkins (O Relojoeiro Cego: A Teoria da Evolução Contra o Design Divino, Companhia das Letras, São Paulo, 2001. p. 18)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Açúcar ligado a doenças cardiovasculares, aponta novo estudo

Um estudo da Universidade de Surrey mostrou que um grupo de estudo formado por homens saudáveis teve seus níveis de gordura no sangue e armazenada no fígado aumentados após se submeterem a uma dieta rica em açúcar.

O estudo, que foi publicado na Clinical Science, observou dois grupos de homens tanto com altos como com baixos níveis de gordura no fígado, fornecendo a eles uma dieta rica ou pobre em acúcar para descobrir se a quantidade de gordura no fígado influenciava o impacto do açúcar em sua saúde cardiovascular. A dieta com pouco açúcar continha não mais do que 140 calorias por dia de açúcar - uma quantidade próxima à ingestão recomendada - enquanto a dieta rica em açúcar continha 650 calorias.

Após 12 semanas na dieta rica em açúcar, os homens com altos níveis de gordura no fígado - uma condição conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) - mostraram mudanças em seu metabolismo da gordura que são associadas ao aumento no risco de doenças cardiovasculares, ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais.

O metabolismo da gordura é o processo bioquímico pelo qual as gorduras são transportadas e quebradas no sangue, e então usadas pelas células do corpo.

Os resultados também revelaram que, quando o grupo de homens saudáveis com baixos níveis de gordura no fígado consumiram uma alta quantidade de açúcar, sua gordura no fígado e seu metabolismo de gordura tornaram-se similares aos dos homens com DHGNA.

O professor de Metabolismo Nutricional, Bruce Griffin, declarou: "Nossas descobertas fornecem novas evidências de que o consumo de grandes quantidades de açúcar pode alterar o metabolismo da gordura de maneiras que podem aumentar seu risco de doenças cardiovasculares."

"Enquanto muitos adultos não consomem os altos níveis de açúcar usados nesse estudo, algumas crianças e adolescentes alcançam esses níveis de ingestão pelo consumo exagerado de refrigerantes e doces. Esses aumentos trazem preocupação a respeido da saúde no futuro da população mais jovem, especialmente quando se tem em vista a ocorrência alarmantemente alta de DHGNA em crianças e adolescentes, e o aumento exponencial de doenças hepáticas fatais em adultos.

Fontes: Healthy people are at risk of developing heart disease


Seguem alguns comentários da escritora norte-americana Ellen White extraídos de "Conselhos sobre o regime alimentar". A data da publicação original de cada comentário é indicada entre parênteses.

"O açúcar abarrota o organismo. Entrava o trabalho da máquina viva" (1870). (p. 280)
"Sento-me com freqüência à mesa de irmãos e irmãs, e vejo que eles usam grande quantidade de leite e açúcar. Isto sobrecarrega o organismo, irrita os órgãos digestivos, e afeta o cérebro. Tudo quanto embaraça o ativo funcionamento do maquinismo vivo, afeta muito diretamente o cérebro. E segundo a luz que me foi dada, o açúcar, quando usado abundantemente, é mais prejudicial que a carne. Estas mudanças devem ser feitas com prudência, e o assunto deve ser tratado de maneira calculada a não desgostar e suscitar preconceito às pessoas a quem queremos ensinar e ajudar" (1870). (p. 281)

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Novo relatório sobre o câncer colorretal: grãos integrais diminuem ao passo que carnes processadas aumentam o risco


Uma nova pesquisa mostra que há forte evidência de que o que você come e o quanto você se exercita podem ter um efeito poderoso contra o câncer colorretal. O relatório feito pelo American Institute for Cancer Research (AICR) e o World Cancer Research Fund analisaram estudos globais neste campo, produzindo a evidência mais completa até o momento sobre como a alimentação e a atividade física se relacionam ao câncer colorretal.

O câncer colorretal é um dos tipos mais comuns de câncer, ainda assim, esse relatório demonstra que existe um grande número de pessoas que podem diminuir dramaticamente seu risco,” disse Edward L. Giovannucci, MD, ScD, autor líder do relatório e professor de nutrição e epidemologia na Harvard TH Chan School of Public Health.

Ao todo, o relatório analisou 99 estudos, incluindo dados de 29 milhões de pessoas, das quais mais de um quarto de milhão foram diagnosticadas com câncer colorretal. Aqui estão algumas descobertas importantes.

Diminuição do risco com grãos integrais e caminhada
  • Grãos integrais – Pela primeira vez, o relatório da AICR mostrou que comer grãos integrais diariamente, tais como o arroz integral ou na forma de pão integral, reduz o risco de câncer colorretal, e quanto mais você come, menores são os riscos. Comer aproximadamente três porções (90 g) de grãos integrais diariamente reduz o risco de câncer colorretal em 17%.
  • Sendo ativo – Desde a caminhada até a jardinagem, demonstrou-se que a atividade física diária protege contra o câncer de cólon. Relatórios prévios da AICR demonstraram que a atividade física regular também protege contra os cânceres de mama e endometriais.

Cachorros quentes, bacon e peso

  • Carnes vermelhas e processadas – o relatório fortaleceu a ligação entre cachorros quentes, bacon e outras carnes processadas e a elevação do risco de câncer colorretal. Para cada 50 gramas ingeridas todos os dias – cerca de um cachorro quente – o risco de câncer colorretal aumenta em 16%. Comer grandes quantidades de carne de boi, porco e outras carnes vermelhas (acima de 510 gramas por semana) também aumenta o risco.
  • Estar acima do peso ou ser obeso – A evidência aqui é consistente com os relatos prévios e com outros tipos de cânceres. Gordura corporal em excesso aumenta o risco de câncer colorretal, juntamento com outros 10 tipos de cânceres. Além de não fumar, manter um peso corporal saudável é a etapa individual mais importante que você pode cumprir para diminuir o risco de câncer.
  • Consumir dois ou mais drinques alcoólicos por dia (30 gramas de álcool), tal como vinho ou cerveja, aumenta o risco. O álcool é reconhecidamente cancerígeno, estando ligado a mais de um tipo de câncer, incluindo o de mama e o de exôfago.

Peixe, frutas e vegetais, evidência emergente

O relatório encontrou outras ligações entre a dieta e o câncer colorretal que foram visíveis, mas não claras. A evidência sugere que comer menos do que cerca de um copo de frutas por dia aumenta o risco. A conclusão foi a mesma para vegetais não amiláceos.

Para diminuir o risco, o relatório apontou para peixes e comidas contendo vitamina C, mas outras pesquisas são necessárias neste ponto. Laranjas, morangos e espinafre são alimentos ricos em vitamina C.

Na medida em que as pesquisas sobre esses fatores continuam a emergir, tudo parece apontar para uma dieta baseada em plantas, diz Alice Bender, MS, RDN, diretora do Programa de Nutrição do AICR. “Substituir parte de seus grãos refinados por grãos integrais e comer mais plantas, como frutas, vegetais e feijões, fornecerá a você uma dieta rica em compostos protetores contra o câncer e o ajudará a controlar seu peso, o que também é importante para diminuir o risco.”

“Quando se fala em câncer, não há garantias, mas está claro agora que há escolhas que você pode fazer e passos que você pode dar para diminuir seu risco de câncer colorretal e de outros tipos.” disse Bender.






link para o relatório da AICR:


Comentários de Ellen White extraídos de Conselhos sobre o regime alimentar (as datas originais de publicação dos comentários estão indicadas entre parênteses):

674. Cânceres, tumores e toda enfermidade inflamatória são causados em grande parte pelo alimento cárneo. Segundo a luz que Deus me deu, a predominância do câncer e dos tumores é em grande parte devida ao uso abundante de carne de animais mortos. (1896). (p. 331)

691. Muitos morrem de doenças devidas unicamente à ingestão de carne, quando a causa mal é suspeitada por eles ou outros. Alguns não sentem imediatamente seus efeitos, mas isto não é prova de que ela não os prejudique. Pode estar seguramente operando no organismo, todavia no presente a vítima talvez não compreenda coisa alguma a esse respeito (1890). (p. 334)

471. Cereais, frutas, nozes e verduras constituem o regime dietético escolhido por nosso Criador. Estes alimentos, preparados da maneira mais simples e natural possível, são os mais saudáveis e nutritivos. Proporcionam uma força, uma resistência e vigor intelectual, que não são promovidos por uma alimentação mais complexa e estimulante (1905). (p. 265)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Pular o café da manhã aumenta o risco de doenças vasculares

Enquanto escova os dentes, amarra os sapatos e procura as chaves do carro, você olha para o relógio da cozinha e nota que está quase atrasado. Sentar com calma para tomar um café da manhã e ler as notícias é evento raro. O jeito é mastigar qualquer coisa no caminho mesmo, ou tentar convencer seu estômago de que a hora do almoço já está quase aí  – mesmo que o dia esteja apenas começando.

Por mais trivial que pareça, o hábito de pular a primeira refeição do dia tem impacto direto na saúde. Fazer um hiato tão grande na alimentação já apareceu ligado a problemas como ganho de peso, risco elevado de diabetes e comprometimento do aprendizado de crianças. E os resultados de um novo estudo espanhol permitem adicionar mais um item a essa lista. Deixar de lado o café da manhã pode, também, prejudicar o coração, aumentando a chance de desenvolver problemas como a arteriosclerose. A doença compromete o fluxo sanguíneo e a oxigenação dos órgãos, e pode desencadear problemas mais graves como hemorragias internas e AVCs (acidentes vasculares cerebrais).

A pesquisa analisou a saúde e os hábitos de 4.052 pessoas. Todas eram funcionárias de um banco e não tinham na família histórico de problemas cardiovasculares. Eles passaram por uma série de avaliações médicas, que extraíram dados como seu IMC (índice de massa corporal) e seus níveis de colesterol. Além disso, os cientistas consideraram critérios como escolaridade, tabagismo, e se os voluntários praticavam atividades físicas.

Do total de participantes, 25% aproveitava bem café da manhã, consumindo pelo menos 20% de suas 2 mil calorias diárias nesse momento. A maioria das cobaias (70%), porém, não dava tanta bola assim para o desjejum, consumindo entre 5 e 20% de sua cota diária na primeira refeição. E 3% deles chutavam o pau da barraca completamente: gastavam até 5 minutos no café da manhã, mandando para dentro apenas uma xícara de café ou um suco de frutas – ou não comendo absolutamente nada ao acordar.

Para esses últimos, o cenário foi o pior: quem não tomava café [ou desjejum] registrou uma circunferência maior do quadril, IMC e pressão arterial mais altos, mais lipídios no sangue e níveis mais altos de glicose no período em jejum. Além disso, o grupo acumulava 1,5 vezes mais gordura nas artérias – em comparação à quem consumia 20% ou mais de suas calorias diárias em sua refeição matinal. Em algumas regiões, o total de gordura chegava a ser 2.5 vezes maior.

“As pessoas que pulam o café da manhã não só comem tarde e de forma estranha, mas também têm um estilo de vida pobre”, disse Valentín Fuster, um dos do estudo, em entrevista ao The Guardian. Quem se encaixava nessa categoria também relatou consumir mais carne vermelha, beber mais álcool e fumar mais.

A pesquisa foi publicada no periódico Journal of the American College of Cardiology.

Fonte: Superinteressante

Nota: Ainda em 1884, a escritora norte-americana Ellen White aconselhou uma mãe sobre o regime de sua filha com as seguintes palavras: “É costume e norma da sociedade tomar um desjejum leve. Mas não é esta a melhor maneira de tratar o estômago. Na ocasião do desjejum o estômago está em melhores condições de cuidar de mais alimento do que na segunda ou terceira refeição do dia. O hábito de tomar um desjejum insuficiente e um lauto almoço é errado. Fazei vosso desjejum corresponder mais aproximadamente à refeição mais liberal do dia. — Carta 3, 1884.” (Ellen G. White, Conselhos sobre o regime alimentar, p. 173). Bastante atual, não?