segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Nova descoberta sobre o fantástico sistema de navegação das abelhas

As abelhas usam sua visão para navegar, mas até agora, pouco se sabia sobre o que acontece dentro de seus cérebros (menores do que um grão de arroz) à medida em que realizam essa tarefa. Pesquisadores da Universidade de Edimburgo descobriram neurônios que detectam velocidade e direção.[1,2] Trata-se de uma rede intricada mais avançada do que os sistemas de navegação baseados em GPS que possuímos.

Esses neurônios estão localizados em uma parte do cérebro chamada de complexo central, que os cientistas descobriam desempanhar um papel fundamental no controle do sistema de navegação. Essas células são usadas para detectar e guardar informações de todos os elementos do caminho percorrido pela abelha, criando uma memória que lhe permite voar para casa pela rota mais direta.

Para obter esses dados, eles monitoraram a função nervosa conectando finos eletrodos à cabeça das abelhas ao mesmo tempo em que elas assistiam a simulações de realidade virtual do que elas veriam se estivessem voando em linha reta ou em movimento circular. Seus resultados - juntamente com estudos de microscopia eletrônica de como as células nervosas estão conectadas - foram usados para desenvolver um modelo computacional detalhado dos cérebros das abelhas, que foi testado em uma abelha simulada por computador e em um robô.

"A parte mais excitante desta pesquisa foi quando a modelagem molecular do 'espaguete'de conexões entre as células nervosas revelaram o princípio elegante pelo qual as abelhas controlam sua posição e retornam para casa. Entender um comportamento tão complexo ao nível de um único neurônio é um passo importante para a ciência da função cerebral", declarou Barbara Webb, Professora da Escola de Informática da Universidade de Edimburgo.

É fascinante como, vez após outra, descobrimos que os sistemas naturais superam, com sobras, nossos melhores esforços. As abelhas existem há milhares de anos e já utilizavam seu sistema de navegação muito antes que o ser humano imaginasse algo como o GPS. Pense com cuidado sobre o que temos aqui. Um conjunto de sensores extremamente sofisticados que detectam, com precisão, variações de velocidade e direção sem ter que fazer triangulações ou usar qualquer dado externo (além dos que a própria abelha capta). Esses dados são então tratados por um software extremanente avançado, que armazena e gera dados que são acessados quando a abelha precisa regressar. Então, sem recorrer a satélites, a abelha traça uma linha reta rumo à sua casa e se dirige para lá com presicão.

Segundo os pesquisadores, essa descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos algoritmos de navegação em robôs autônomos que dispensem GPS ou sistemas computacionais caros.

Por essas e outras é que Richard Dawkins declarou:

"A biologia é o estudo das coisas complexas que dão a impressão de ter um design intencional." [2]

A "impressão" de um design intencional na natureza é gritante, e até mesmo o ateu mais famoso do mundo reconhece isso.


Rodrigo M. Pontes


Referências

1. Brain study reveals how insects make beeline for home

2. Stanley Heinze et al. An Anatomically Constrained Model for Path Integration in the Bee Brain. Current Biology, Outubro de 2017.

3. Richard Dawkins (O Relojoeiro Cego: A Teoria da Evolução Contra o Design Divino, Companhia das Letras, São Paulo, 2001. p. 18)