quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Proteínas e pigmentos de uma tartaruga de "54 milhões de anos" são semelhantes aos das tartarugas modernas

Crédito: Johan Lindgren
A Tasbacka danica é uma espécie de tartaruga marinha que viveu durante o período Eoceno, entre 56 e 34 milhões de anos atrás. Em 2008, um espécime extremamente preservado, de 74 milímetros, foi descoberto na Dinamarca. Em 2013, o palentologista Johan Lindgren, da Universidade de Lund, descobriu resíduos de tecidos moles em uma área localizada próxima ao "ombro" esquerdo da tartaruga. Ele coletou cinco pequenas amostras para análise biomolecular.

Os cascos das tartarugas marinhas modernas são escuros, o que serve de proteção contra predadores aéreos quando as tartarugas se dirigem para a superfície do oceano para respirar. A coloração escura também as ajuda a absorver calor da luz solar e regular sua temperatura corporal, uma vez que são criaturas de sangue frio.

Lindgren submeteu suas amostras a uma série de análises químicas que lhe permitiram confirmar a presença de grupos heme (que fazem parte da hemoglobina do sangue), eumelanina (pigmento responsável pela coloração) e fragmentos de proteínas.

A co-autora Mary Schweitzer realizou análises histoquímicas e encontrou beta-queratina (que compõe cascos, unhas e pele), hemoglobina e tropomiosina (uma proteína muscular). Esses achados foram confirmados pelo biólogo Takeo Kuriyama, da Universidade de Hyogo, no Japão.

Toda a evidência indica que essas moléculas são originais do proprio espécime, o que mostra que essas antigas tartarugas compartilhavam uma característica de pigmentação que as ajudava na sobreviência semelhante à das tartarugas modernas.

"Os dados não apenas apoiam a presenvação de múltiplas proteínas, mas também sugerem que a coloração era usada para a fisiologia já no Eoceno, da mesma maneira que é hoje", disse Schweitzer.

Algumas coisas são notáveis aqui. Em primeiro lugar, a tartaruga com os supostos 54 milhões de anos já era tão tartaruga quanto as modernas (foto). Em segundo lugar, as análises mostraram, como os próprios autores ressaltam, que a pigmentação das tartarugas antigas era semelhanta à das tartaguras que vivem hoje. Ou seja, as antigas e as modernas não são apenas morfologicamente parecidas, mas quimicamente também. Por fim, a própria preservação de moléculas orgânicas tão frágeis pelos alegados 54 milhões de anos lança sérios questionamentos sobre a veracidade dessa idade.

Seria muito interessante submeter essas amostras a análises de C-14, mas isso nem passa pela cabeça de um pesquisador que "sabe" que o fóssil tem 54 milhões de anos. Criacionistas já mostraram em diversas ocasiões, baseando-se em análises de laboratórios de datação internacionalmente reconhecidos, que fósseis de dinossauros com dezenas de milhões de anos podem apresentar quantidades significativas de C-14. Quando se tenta publicar esses dados nos meios de divulgação seculares, eles são rejeitados sob a alegação de que por contradizerem a cronologia amplamente aceita (e crucial para o evolucionismo) devem, certamente, estar errados (embora ninguém aponte onde está o erro). Como seria maravilhosa uma ciência sem censura!

Rodrigo M. Pontes


Referências:

1. Johan Lindgren, Takeo Kuriyama, Henrik Madsen, Peter Sjövall, Wenxia Zheng, Per Uvdal, Anders Engdahl, Alison E. Moyer, Johan A. Gren, Naoki Kamezaki, Shintaro Ueno, Mary H. Schweitzer. Biochemistry and adaptive colouration of an exceptionally preserved juvenile fossil sea turtle. Scientific Reports, 2017; 7 (1) DOI: 10.1038/s41598-017-13187-5

2. Keratin, Pigment, Proteins from 54 Million-Year-Old Sea Turtle Show Survival Trait Evolution.