quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Como as sementes de dente-de-leão voam?

Vórtice criado por uma semente de dente-de-leão
Nos terrenos baldios da cidade onde cresci, era muito comum encontrar um tipo de planta chamada de dente-de-leão. Parecia uma bolinha cheia de pelos brancos. Quando se desprendiam, esses bastõezinhos peludos não caiam com facilidade, sendo levados pelo vento como se estivessem suspensos por um fio. Era um espetáculo fascinante para uma criança.

Me surpreendi recentemente ao descobrir que muito mais gente, e estou falando em escala mundial, também teve sua curiosidade despertada pelo voo quase mágico dessas sementinhas peludas. Mas por incrível que pareça, até agora ninguém era capaz de explicar como as sementes de dente-de-leão voam. A resposta é tão fascinante que mereceu uma publicação na Nature.

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo usaram um túnel de vento para entender o que dá sustentação ao voo dessas sementes. As sementes de dente-de-leão estão ligadas a uma espécie de bastão cheio de filamentos na extremidade. Quando a semente é levada pelo vento e começa a cair, o ar que passa entre os filamentos cria um vórtice exatamente sobre a estrutura. Esse vórtice é uma região de baixa pressão. É algo parecido com o que se usa para manter um avião no ar. O formato da asa é projetado de tal maneira a criar uma região de baixa pressão acima da asa quando o ar passa por ela. Se um objeto for colocado entre uma região de baixa e uma de alta pressão, ele tende a ser empurrado para a região de baixa pressão. O segredo para que o avião se mantenha estável é equilibrar o efeito da região de baixa pressão com a força da gravidade.

O que ocorre com a semente de dente-de-leão é muito parecido, mas ela funciona mais como um paraquedas muito eficiente. Aliás, o sistema do dente-de-leão é quatro vezes mais eficiente do que a estrutura de um paraquedas tradicional.

Mais uma vez a natureza nos impressiona com "soluções" de engenharia que deixam cientistas de ponta perplexos, como explica Cathal Cummins, coautor do artigo, "quando você mostra isso para estudiosos de dinâmica de fluidos, eles ficam chocados".


Referências

C. Cummins et al. A separated vortex ring underlies the flight of the dandelion. Nature. Published online October 17, 2018. doi:10.1038/s41586-018-0604-2.


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