segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Vegetarianos têm 22% menos chances de problemas cardíacos, diz estudo

Reproduzido de: Exame


São Paulo –  O vegetarianismo, que consiste em manter uma dieta sem qualquer alimento de procedência animal, está se tornando um importante aliado da luta a favor do ambiente e das causas animais. Mas esse é apenas um dos benefícios que a adoção do estilo de vida livre de produtos animais pode trazer. Segundo uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, ser vegetariano também pode diminuir em cerca de 22% as chances dos indivíduos terem alguma doença cardíaca.

Tammy Tong, uma das líderes do estudo, analisou com seus colegas a dieta de mais de 48 mil residentes do Reino Unido durante mais de 18 anos. Os resultados demonstraram que os vegetarianos estudados possuíam cerca de 22% menos chance de terem ou desenvolverem algum tipo de doença cardíaca do que os indivíduos que consumiam carne.

A descoberta confirma estudos anteriores sobre o assunto, que dizem que os vegetarianos ou veganos costumam ter níveis de colesterol no organismo mais baixos e controlados.

O estudo, no entanto, não apresentou apenas benefícios para os que não consomem produtos animais.

A pesquisa ainda revelou que a chance dos indivíduos terem um derrame cerebral é cerca de 20% mais provável nos vegetarianos ou veganos. Em nota, Tong disse que isso pode ocorrer por conta da falta de alguns nutrientes.

“O motivo pode ser o fato de os vegetarianos perderem alguns nutrientes encontrados apenas na carne, como a vitamina B12”, informou a pesquisadora. Ela acrescentou que tais nutrientes podem ser encontrados em suplementos alimentícios.

Apesar da análise apresentar informações importantes que poderiam melhorar a saúde dos seres humanos, a professora da Universidade de Oxford diz que se tornar vegetariano ou vegano é uma escolha pessoal.

O professor Thomas Sanders, da Universidade King’s College em Londres, acrescentou, em comentário, que é importante lembrar que as dietas vegetarianas só são saudáveis ​​se forem bem equilibradas.

Nota: Diversos estudos têm comprovado os benefícios de uma dieta sem alimentos de origem animal. No trabalho mencionado na reportagem, há um ponto positivo, relacionado à diminuição de problemas cardíacos, e um ponto negativo, relacionado ao aumento de chances de derrame cerebral. Entretanto, Tammy Tong, uma das autoras, destacou que uma provável razão para o segundo resultado seja a carência de vitamina B12. Para elucidar a questão, seria necessário fazer um estudo semelhante, mas com um grupo de vegetarianos que incluísse vitamina B12 em sua dieta por meio de suplementos. A suplementação de vitamina B12 é algo sério e precisa ser observada por quem pretende adotar uma dieta vegetariana estrita, com o devido acompanhamento médico. Outros nutrientes essenciais para uma dieta vegetariana equilibrada são encontrados em nozes e castanhas, que também precisam estar presentes regularmente e em quantidade moderada. Quando se fala de aspectos negativos do vegetarianismo, geralmente a causa tem origem em uma dieta pobre e desequilibrada, não no vegetarianismo em si. Para se tornar vegetariano, não basta apenas deixar de consumir carne e outros alimentos de origem animal. É preciso incluir na alimentação uma variedade de fontes de nutrientes, como os alimentos integrais, as já mencionadas nozes e castanhas, muitas frutas e hortaliças, além de suplementos de vitamina B12. É isso o que eu tenho feito por anos e não tenho do que me queixar. Mas antes de tomar qualquer decisão a este respeito, consulte profissionais médicos e nutricionistas (RMP).


domingo, 1 de setembro de 2019

Fenômeno raro faz reaparecer "ave extinta há mais de 130 mil anos"

Ao norte de Madagascar, na África, encontra-se o Atol de Aldabra, um recife de corais com uma das histórias mais espantosas já conhecidas. Ali, reapareceu uma ave que havia sido extinta há 136 mil anos, quando o local foi inundado. Mas como essa volta aconteceu?

O que explica esse fenômeno é um raro processo natural chamado de evolução iterativa. Há milhares de anos, essa ave, com o nome científico de Dryolimnas cuvieri, voou de Madagascar até Aldabra, onde viveu por muito tempo. A espécie evoluiu de tal maneira que perdeu a capacidade de voar, pois a pequena ilha onde vivia não tinha predadores naturais, criando uma subespécie, chamada Dryolimnas cuvieri aldabranus. Assim, quando o atol foi inundado pelo Oceano Índico, todos os espécimes desapareceram. 

Porém, cem mil anos depois, o atol ressurgiu após uma era glacial baixar o nível do mar. Então, a espécie original de Madagascar voou de volta para povoá-lo. E, como havia acontecido anteriormente, a espécie perdeu a capacidade de voar, ressurgindo assim a subespécie extinta.

De acordo com os cientistas, esse tipo de fenômeno é extremamente inusitado. Os pesquisadores observaram que uma espécie de iguana e vários lagartos também recolonizaram o atol, mas a maioria dessas espécies se perdeu posteriormente, provavelmente devido à introdução de ratos negros invasivos.

Texto reproduzido de History.


Nota: Esse é mais um dos numerosos exemplos baseados em perda de capacidade usados para apoiar a evolução. Fala-se em perda de capacidade de voar, perda de visão, perda de coloração e por aí vai. Alguns poderiam argumentar: "isso mostra que as espécies não são fixas". Realmente não são. Criacionistas não defendem isso, embora alguns livros mal-intencionados (ou simplesmente mal escritos) tentem vender essa ideia. Já abordei em outras ocasiões (como aqui e aqui) a questão da capacidade de adaptação dos seres vivos. Em circunstância alguma vemos espécies ganhando novas funcionalidades (não a simples ativação daquilo que já estava presente em seu código genético). É difícil sustentar cientificamente a validade de um processo construtivo para o qual a esmagadora maioria das observações é de caráter destrutivo. (RMP)